Já sabemos o que os chilenos não querem. Agora resta saber o que eles querem

A eleição de Gabriel Boric foi o ápice dos movimentos de protesto que tomaram conta do Chile, e que obrigaram o então presidente Sebastián Piñera a prometer uma nova Constituição.

Escrevi vários posts a respeito desses protestos, focando, principalmente, na impossibilidade prática ou nas consequências nefastas para a economia chilena se aquelas reivindicações fossem atendidas. Usava como exemplo o próprio Brasil, que implementou muitas das reivindicações dos protestos, e colhe um índice de Gini pior e um crescimento de renda per capita muito menor do que os do Chile.

A eleição de Boric foi o ápice. Depois, vieram o NÃO para a nova Constituição e, na semana passada, a derrota da proposta de reforma tributária, em um Congresso supostamente eleito sob a influência dos protestos. É como se a sociedade chilena estivesse de ressaca depois de uma bebedeira, e não reconhecesse a amante ao seu lado na cama. Boric, a amante, conta com baixos níveis de aprovação.

Todos queremos um mundo onde todos tenham condições de suprir suas necessidades básicas de saúde, alimentação, moradia, educação e lazer. O duro é como chegar lá. A sociedade chilena, seja diretamente (referendo da nova Constituição), seja via seus representantes no Congresso (votação da reforma tributária) disse não à solução de Boric, símbolo dos protestos. Já sabemos o que o povo chileno não quer. Resta saber o que eles querem.

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