Perderam o senso de proporção

Eleições são boas porque, pelo menos de 4 em 4 anos, ficamos sabendo quanto custa a máquina pública.

Por exemplo, você sabia que os contribuintes gastamos R$430 mil por mês só para pagar água, luz, manutenção das piscinas e alimentação das emas do Palácio do Alvorada?

430 mil POR MÊS!!!

Vamos lembrar que o Museu Nacional estava condenado a sobreviver com uma verba de R$500 mil/A-N-O.

Uma unidade residencial de classe média alta vai pagar, chutando alto, uns mil reais/mês de utilities (água, etc). Contrate jardineiro e piscineiro, vai gastar quanto mais? 10 mil, chutando bem alto? Sobram as emas. Haja ema!

O problema, claro, está na folha de pagamento. Quanto você acha que ganham o cozinheiro, o piscineiro, o jardineiro, o mordomo, os faxineiros, etc e etc, todos concursados?

R$ 20 milhões/ano para manter o presidente confortável em sua casa. Esse pessoal perdeu o senso de proporção.

Distorções

Em artigo no Valor de hoje, o reporte Sérgio Lamucci nos revela alguns dados interessantes sobre as finanças públicas brasileiras, contidos no relatório anual do FMI.

– Gastos com salários de servidores públicos representam 13% do PIB no Brasil, contra 9% na média dos países emergentes e 8% na média dos países sul-americanos.

– Por outro lado, o número de servidores em proporção à população ativa está em linha com o que se observa na média dos emergentes. Portanto, os gastos acima da média ocorrem porque os salários estão acima da média.

– Os salários no setor público têm um prêmio alto em relação aos do setor privado quando comparados com outros países. Para trabalhadores de menor nível educacional, esse prêmio chega a 50%, segundo o relatório do FMI.

Alguns dirão que a distribuição de renda é mais justa no setor público, e é o setor privado que está distorcido, com o imenso gap entre os maiores e os menores salários.

Ao que eu respondo que o imenso gap existe porque existe um imenso gap no nível de produtividade entre os trabalhadores no Brasil, causado pelo imenso gap educacional. Consertar esse problema “na marra”, concedendo salários irrealistas no setor público, só faz piorar a vida dos mais sofridos no setor privado, que são chamados a financiar a “justiça social” no setor público.

Não se engane: os que mais sofrem com distorções no sistema de salários são aqueles que não pertencem a nenhuma corporação. Mas nada que não se resolva com um cala-boca estilo Bolsa-Família.

Benesses

Ficamos sabendo que Dr. Bumbum trabalhou na Presidência da República em 2012. Portanto, no governo de Dilma Rousseff.

Mais do que a piada pronta, essa notícia nos permite saber que os funcionários da Presidência podem contar com médico próprio. Não precisam, como qualquer mortal, procurar um médico fora de seu local de trabalho quando se sentem mal.

Vai sobrar meme e piada sobre o Bumbum da Dilma. Vai faltar indignação sobre mais esta benesse absurda da elite do funcionalismo público.

A verdadeira batalha

A batalha que se trava hoje no Brasil não é esquerda x direita nem conservadores x progressistas.

A batalha hoje se dá entre funcionalismo público e o restante dos brasileiros.

Toda generalização é injusta. Eu mesmo conheço inúmeros funcionários públicos com espírito público e exercendo funções de Estado indispensáveis. A questão não é essa.

A questão é que os funcionários públicos entendam que o funcionalismo público já não cabe no Brasil.

Outro dia, uma reportagem mostrava que o Brasil gasta com educação um percentual do PIB acima da média da OCDE, o clube dos países ricos. Por que os resultados são uma lástima? Entre outros motivos por conta de gastos com estruturas burocráticas rígidas, com salários imexíveis e funcionários que não podem ser demitidos. E por aí vai, este é só um exemplo.

O que está ocorrendo hoje em alguns Estados da federação, onde salários e aposentadorias de funcionários públicos não estão sendo pagos, deveria ser o bastante para que o funcionalismo público entendesse o que está acontecendo. Doce ilusão.

Quanto custa?

Raquel Dodge, Procuradora Geral da República, chega para a sessão de hoje no STF.

Quanto custa para os cofres públicos a funcionária que segura o guarda-chuva?

Só no Brasil

Cobertura da Globo News sobre a batalha campal provocada pela reação dos servidores municipais da educação ao novo desconto da previdência aprovado na CCJ de 14% a 19% (era 11%).

Depois da reportagem, o comentário de Chico Pinheiro fecha a matéria: “desconto de quase 20% de servidores que já ganham um salário tão baixo… só no Brasil”.

Só no Brasil o âncora de um dos principais telejornais do país faz um comentário energúmeno desses.

Pode isso, Arnaldo?

Essa história é absurda, ouve só.

A equipe de advogados da Eletrobrás vai levar para casa uma bolada de R$100 milhões porque intermediou o acordo entre a empresa e a Eletropaulo. Ou seja, vão faturar como se tivessem corrido o risco de ter uma empresa, mas mantendo o conforto de seus empregos em uma empresa estatal.

Pode isso, Arnaldo?