Aguardando as provas
Dia 05
Dissonância
Segundo o título da matéria do Estadão, o governo estaria estudando mexer no teto de gastos, “em caráter excepcional”.




Aí, pra não variar, você vai ler a matéria e é o justo oposto. Há estudos de todas as naturezas, MENOS sobre o teto de gastos.
Para mim, continua sendo um mistério os motivos que levam um jornalista ou o próprio editor a dar um título que não corresponde ao que vai na reportagem, o que é facilmente verificável por quem a lê. É falta de atenção, analfabetismo funcional ou desonestidade intelectual mesmo?
O repórter ainda afirma que economistas “de diferentes espectros ideológicos” passaram a defender uma flexibilização do teto de gastos. Em primeiro lugar, não li um único economista mainstream que defendesse isso. Pelo contrário. A reportagem entrevista a indefectível Monica de Bolle, eleita pelos heterodoxos como “a economista liberal com bom senso”, supostamente representando a ala liberal que defende flexibilizar o teto.
Mas o que a repórter revela nesta frase é mais do que isso. Para ela, a questão não passa de “ideologia”, não tem nada a ver com expectativas dos agentes e restrições financeiras. Para quem viu a reação do mercado de títulos públicos ontem após a derrubada do veto à ampliação do BPC, ficou claro que a coisa é muito mais do que “ranço ideológico”. Mas a ideologia da jornalista explica a dissonância entre título e matéria.
Raul Seixas era um visionário.
Ou é?
Um vírus não é mais forte que um mundo inteiro.
(ou é?)
A real
Zeina Latif dando a real sobre as propostas de “incentivos” para a economia. Vale a leitura.

Preso ao passado


Eugênio Bucci está desesperado. Já vê despontar no horizonte um regime fascista, que cancelará, entre outras coisas, seu direito a escrever bobagens periodicamente.
Ele chama as “lideranças democráticas” para nos salvar. E quem seriam essas tais “lideranças democráticas”?
FHC, Lula e Ciro.
Ok, pode parar de rir e continuar a ler a minha análise.
Fico me perguntando que tipo de cegueira ou desespero faz uma pessoa inteligente e experiente como Bucci a achar que FHC, Lula e Ciro vão levantar multidões contra o “fascismo”. FHC já não deve liderar nem reunião do condomínio onde mora e Ciro, só se for para liderar um batalhão de retroescavadeiras. Sobra Lula, o único que tem ainda algum apelo popular. Pena que esteja enrolado em outras esferas que não a política.
A propósito, Bucci chama de controversa e açodada as condenações de Lula. Ou seja, ao mesmo tempo que vê o fantasma do fascismo ameaçando as instituições democráticas tupiniquins, coloca em suspeição sentenças emanadas da justiça do país em nada menos que três instâncias diferentes. A justiça é um dos pilares de qualquer Estado democrático, mas Bucci não se incomoda em passar por cima para defender a “democracia”.
Eugênio Bucci, assim como grande parte dos intelectuais de esquerda, está preso ao passado. Desse jeito, Bolsonaro vai continuar no poder por muitos anos.
Chapa dos sonhos… de Bolsonaro!

Absorvendo despesas



Vejamos.
Digamos que o público-alvo deste programa seja o mesmo que recebe o bolsa-família. Hoje são cerca de 13,5 milhões de famílias que recebem o benefício. Considerando uma média de 4 membros por família, temos um total de 27 milhões de mulheres recebendo o BF (considerando duas mulheres por família). Considerando ainda que 2/3 dessas mulheres estejam em idade fértil, temos 18 milhões de mulheres potencialmente beneficiadas pelo novo programa.
No Mercado Livre, podem ser encontrados pacotes de absorventes por cerca de R$1,00 a unidade. Digamos que, com o seu poder de compra, o governo conseguisse comprar o material por R$0,75 a unidade. Com R$119 milhões (valor anual previsto pela deputada para o programa), teríamos um pouco menos de 6 absorventes/ano/mulher.
Por motivos óbvios não sou especialista no assunto. Pergunto então para as especialistas que leem esta página: 6 absorventes/ano são suficientes?
Não vou entrar no mérito da iniciativa, pode ser até muito boa, não tenho condições de opinar. Mas, para qualquer política pública, é necessário antes calcular o REAL impacto em termos financeiros. Senão, a conversa já começa viciada.
PS.: claro que o governo pode tentar baratear ainda mais o custo, fundando uma estatal para fabricar os absorventes. Nada é tão ruim que não possa piorar.
Medidas extremas

A chamada não corresponde ao que a pesquisa apontou.
33% dos brasileiros são a favor do fechamento do Congresso.
39% dos brasileiros são a favor do impeachment do presidente.
Considerando que deva haver uma interseção muito pequena entre esses dois grupos, sobram apenas 28% de brasileiros que rejeitam ambas as “soluções”. Uma minoria, portanto.
Isso sem contar o número de brasileiros que foram indiferentes a quaisquer dessas opções. Ou seja, não são a favor, mas também não ficariam muito chateados se isso acontecesse.
O brasileiro quer sangue.
PS.: as duas “soluções” não são exatamente simétricas, pois impeachment faz parte do cardápio democrático, enquanto fechar o Congresso, não. Mas, de qualquer modo, serve para medir o nível de radicalização da sociedade.
Dia 03
Aguardando as provas
Dia 03
