Impossibilidade estatística

Descobri hoje que sou uma impossibilidade estatística.

Segundo reportagem da Folha, um grupo de empresários teria financiado uma operação gigantesca de envio de mensagens via WhatsApp. Seriam centenas de milhões de mensagens espalhadas por aí.

Então. Eu não recebi nenhuma dessas mensagens via robôs. Sempre recebi via amigos da minha lista de contatos. Dessas “centenas de milhões de mensagens”, nenhuma chegou a mim.

Sou uma impossibilidade estatística.

Crony capitalism em estado puro

O Rota 2030 é aquele programa que dá incentivos fiscais para a indústria automobilística. Está para ser aprovado no Congresso, mas surgiu uma treta de última hora.

O caso é o seguinte: a Fiat produz em Pernambuco, enquanto a Ford produz na Bahia. O senador Armando Monteiro, de Pernambuco, propôs uma emenda que prorroga um determinado benefício ao setor. Mas, segundo a Ford, essa prorrogação beneficia mais a Fiat do que a Ford. Por isso, os parlamentares da Bahia estão contra.

Então, ficamos assim: os parlamentares em Brasília estão decidindo não só quanto vão tungar dos brasileiros para beneficiar os fabricantes de carros, como também qual montadora sai em vantagem. Não consigo pensar em nada mais “crony capitalism” do que isso.

Segundo a reportagem, os incentivos fiscais à indústria automobilística chegarão a US$ 7,2 bilhões em 2019. Isso é cerca de um quarto do que se gasta com Bolsa Família.

Proponho perguntar aos nordestinos se preferem ter um aumento de 25% em seus benefícios ou continuar dando dinheiro para a suposta geração de alguns milhares de empregos em meia dúzia de cidades da região.

Cotas para mulheres

Trabalho no mercado financeiro, um ambiente predominantemente masculino.

A empresa onde trabalho tem origem na Califórnia e uma preocupação genuína por diversidade. Sempre que abre uma vaga, temos a preocupação de tentar aumentar o contingente feminino na empresa.

Só tem um problema: as mulheres simplesmente não aparecem para as entrevistas. O interesse é predominantemente masculino, principalmente para a atividade fim, gerência de investimentos. Vou chutar a proporção, deve ser uma mulher a cada 10 homens, se muito.

Fico imaginando se houvesse cotas para contratação. Se fosse 30%, como no caso das candidaturas, enfrentaríamos sérios problemas de preenchimento de vagas.

O problema, como já deve ter sacado o estudante do 1o ano de economia, é de oferta, não de demanda. Faltam candidatas, não vagas. Quando se descobre que uma parte relevante de candidaturas “laranja” são de mulheres, deveríamos investigar não os partidos, mas o fenômeno que causa uma oferta tão baixa de candidatas “de verdade”.

As cotas, como em todo lugar em que são implementadas, mascaram o real problema. No caso, por quê mulheres participam tão pouco da política partidária.

Uma mão na faixa

Final do primeiro jogo da decisão. O time venceu por 3 x 0 e agora vai decidir a taça em casa.

Coletiva de imprensa com o técnico.

– Já se considera campeão?

– Estamos com uma mão na taça. Dificilmente o adversário vai tirar essa diferença no próximo jogo.

Você nunca vai ouvir essa resposta. Mais provável que seja algo do tipo “a diferença é grande, mas o time adversário é forte e estamos concentrados para a final. Jogo se ganha no campo, não de véspera”.

Por que os técnicos falam isso, apesar de, de fato, o time estar com a mão na taça? Por dois motivos: para não desmobilizar os jogadores do seu time e para não encher de brios o time adversário.

Eleição não se ganha de véspera, se ganha na urna. Que o digam Dilma, Suplicy, Pimentel, Skaf e Romário.

Jovens, acordem!

Este post é dedicado a quem tem menos de 35 anos de idade, incluindo todos os meus filhos.

O gráfico abaixo mostra que a reforma da previdência vai ser feita por bem ou pelo mal. De maneira organizada e debatida, ou de maneira selvagem, via calote nas aposentadorias ou uma inflação a lá Venezuela.

Neste gráfico, vemos a média de filhos por mulher no Brasil. A taxa de reposição, ou seja, a taxa necessária para manter a população estável, é de 2,1 filhos por mulher. Portanto, com 1,7, a população brasileira começará a diminuir em algum momento, como já está acontecendo no Japão e na Rússia.

O sistema de previdência brasileiro funciona no regime de repartição: o pessoal que está trabalhando financia a aposentadoria de quem não está trabalhando mais. Não é preciso ser nenhum gênio da economia para sacar que essa equação não fecha se a população começar a diminuir.

A rigor, não precisa nem esperar a população começar a diminuir. Basta o próprio envelhecimento. Estima-se que em 2050, quando os jovens de hoje estarão se aposentando, um quarto da população terá mais que 65 anos de idade. Isto significa que haverá um aposentado para cada duas pessoas trabalhando.

Os maiores interessados na reforma da Previdência deveriam ser os jovens, preocupados em como vão financiar as aposentadorias de seus pais e, principalmente, como seus filhos irão financiar suas próprias aposentadorias.

Jovens, acordem! Vocês são a geração que serão o recheio do sanduíche, formado pela aposentadoria de seus pais e pela falta de quem financie a sua própria aposentadoria.

– Ah, mas não vou precisar dessa aposentadoria, não pretendo me aposentar.

Eu também pensava assim quando era jovem. A idade vai chegando e as forças vão faltando, de modo que uma renda complementar passa a ser importante e até mesmo essencial em alguns casos.

A escolha é clara: uma reforma negociada ou caótica. Não há uma terceira opção.

Meu maior defeito

Haddad reconhecendo os erros do PT me faz lembrar aquelas entrevistas de emprego:

Entrevistador: qual o seu maior defeito?

Candidato: meu maior defeito é trabalhar muito, não consigo parar!