Acabo de receber “santinho” de um candidato do Partido Novo.
No verso, a mensagem: “impresso sem dinheiro público”.
O seu candidato pode dizer o mesmo?


Apenas um repositório de ideias aleatórias
Acabo de receber “santinho” de um candidato do Partido Novo.
No verso, a mensagem: “impresso sem dinheiro público”.
O seu candidato pode dizer o mesmo?

Não é por nada não, mas meu irmão Marcos Guterman mandou muito bem hoje no Estadão.

Eliana Cardoso e Bolívar Lamournier, intelectuais tucanos, divulgaram um manifesto (mais um) em favor da união dos candidatos do auto-denominado “centro” em torno de apenas um nome. No caso, Alckmin.
Após 3 parágrafos conclamando a união das forças de “centro” contra as ameaças populistas e radicais de direita e de esquerda, o texto começa a analisar Bolsonaro:
“Bolsonaro segue a recente parada de populistas, de Donald Trump nos Estados Unidos a Rodrigo Duterte, nas Filipinas. Sua vitória colocaria em risco a sobrevivência da democracia no Brasil. Ele apela para a rejeição do eleitor à catástrofe produzida por Dilma-Temer. Nosso PIB por pessoa encolheu 10% em 2014-16 e dezenas de políticos estão sob investigação. Lula, preso por corrupção, consegue transferir votos para o candidato que apresenta um programa econômico catastrófico.”
Sua vitória colocaria em risco a sobrevivência da democracia no Brasil. Ponto. Os intelectuais tucanos não se dão ao trabalho de demonstrar a sua tese. Consideram-na um axioma, uma verdade que dispensa demonstração.
Além disso, a ameaça à democracia está apenas do lado de Bolsonaro. Haddad é uma ameaça à economia. Só.
Na verdade, logo à frente, há o que poderia se considerar uma sugestão de porque Bolsonaro representaria uma “ameaça à democracia”. A declaração diz o seguinte:
“O companheiro de chapa de Bolsonaro é Hamilton Mourão, um general aposentado, que no ano passado, enquanto estava de uniforme, pensou que o exército poderia intervir para resolver os problemas do Brasil. A resposta do Sr. Bolsonaro ao crime é, na verdade, matar mais criminosos.”
Até a menção à intervenção do exército, se poderia considerar que existiria o receio de um golpe militar. Mas não é disso que se trata. A conexão que os autores fazem entre intervenção e combate ao crime mostra que a preocupação está na resposta que Bolsonaro eventualmente daria à criminalidade, não a sua ameaça às instituições democráticas. Bem, nesse sentido, o exército de fato interveio, respondendo a uma ordem do governo federal. Foi na segurança pública do Rio de Janeiro, exemplo acabado de como os fofos da democracia não respondem às mais básicas necessidades da população.
O manifesto continua assim: “Para os brasileiros desesperados por se verem livres de traficantes de drogas, assassinos e políticos corruptos, Bolsonaro se apresenta como o anti-Lula. Se enfrentar Fernando Haddad, muitos eleitores de classe média e alta, que culpam Lula e o PT acima de tudo pelos problemas do Brasil, podem ser convencidos por suas visões autoritárias.”
Esse tucanato vive realmente em uma bolha. Não é que os eleitores serão convencidos pelas visões autoritárias de Bolsonaro. O que acontece é que esses eleitores estão apenas reagindo às visões autoritárias de Lula e do PT. A resposta “Bolsonaro” não apareceu porque o programa econômico do PT é “catastrófico”. Para isso, bastava um programa econômico “não-catastrófico”. Bolsonaro é a resposta ao autoritarismo do PT. Em momento algum o manifesto dos tucanos coloca os dois lados desta maneira. O único autoritário é Bolsonaro, o PT tem apenas um programa econômico catastrófico. Com essa leitura da realidade, não é à toa que estejam pregando no deserto.
O manifesto continua: “O senhor Bolsonaro tem poucos aliados políticos e, para governar, poderia degradar ainda mais a política.”
“Poderia degradar ainda mais a política”. Sério isso? Alguém realmente consegue imaginar degradação maior da política do que o mensalão e o petrolão??? Existe algo mais degradante do que ter um presidente do STF que nem em concurso para juiz conseguiu passar? Como é que se vai conseguir degradar ainda mais uma política comandada da cadeia?
O manifesto dos “intelectuais tucanos” termina assim: “A tarefa exige que os candidatos do centro, Alckmin, Marina, Álvaro Dias, Amoedo e Meirelles se encontrem e coloquem seus votos a favor do candidato que entre eles tem a maior chance de evitar uma tragédia. No momento este nome é Alckmin.”
E o Ciro? Não seria uma alternativa melhor para enfrentar o risco do “autoritarismo” e da “degradação da política”, representados por Bolsonaro? Ou o Ciro também é um “radical”? Se é, deveria ter sido citado no manifesto. Se não, deveria ter sido incluído entre os nomes possíveis para uma união.
E por que Alckmin? Por que não Marina? Marina está tecnicamente empatada com Alckmin. A escolha do nome de Alckmin só mostra que o que os intelectuais tucanos estão fazendo é apenas campanha eleitoral para o seu candidato. Nada contra, mas não venham se travestir de “consciência da nação”.
Substitua “Trump” por “Bolsonaro” e “Clinton” por “Alckmin”, e entenda porque a campanha do tucano está errada do início ao fim, a começar pela escolha do candidato.
Da página de Rico Ferrari:
Traduzindo os comentaristas políticos:
1) “A gravidade do momento que o país atravessa” = “o candidato que prefiro não está na frente”.
2) “Essa polarização entre os extremos” = “o candidato que prefiro não está na frente”.
3) “Uma opção razoável que possa vencer o projeto populista” = “o candidato que prefiro não está na frente”.
4) “Crise democrática, crise de representação” = “o candidato que prefiro não está na frente”.
5) “Os ânimos exaltados nas redes sociais” = “o candidato que prefiro não está na frente e o povão está sampando a lenha em mim no twitter quando dou a entender isso”.
6) “Candidatura mais responsável” = “agora sim! estamos falando do candidato que prefiro!”.
Tem outras variantes.


“Vamos fazer um acerto de contas […] Eles têm que aprender a respeitar o resultado das urnas.”
Essa fala é de Fernando Haddad, o candidato moderado, o candidato do amor.
Esta frase está prenhe de promessas inconfessáveis.
O que seria o tal “acerto de contas” sem revanchismo e tampouco ódio? Como se daria? Acerto de contas significa pagar uma dívida. Que dívida o PT cobraria? Como seria essa cobrança? Cada um pode imaginar o que quiser.
E quem são “eles”? Quem são os devedores do PT, aqueles que serão chamados a pagar a dívida, a acertar as contas? Os partidos de oposição? A imprensa não alinhada ao PT? O judiciário independente? Os que saímos às ruas para pedir o impeachment de Dilma?
“Têm que aprender”. Esta é a fala de um pai que vai aplicar um corretivo no filho desobediente. Que corretivo será este?
Sim, amigos. É esta força “democrática” que será apoiada no 2o turno por todos aqueles que se dizem preocupados com o futuro da democracia brasileira nas mãos do brucutu da caserna.
Mônica De Bolle tem medo de um candidato que tem um discurso liberal, mas que pode se mostrar intervencionista no futuro.
Então, ela vai votar em um candidato que tem discurso intervencionista.
Muito lógico e inteligente.


Maria Cristina Fernandes, na CBN. Depois de uma longa análise sobre a carta de FHC e outras pedindo a união dos candidatos de centro, responde a uma última pergunta.
Âncora: Dizem que Bolsonaro e Haddad são duas faces da mesma moeda. Você concorda?
Maria Cristina: não. Bolsonaro é o candidato do ódio. Haddad, apesar de setores do PT adotarem uma postura mais radical, tem procurado se mostrar muito mais conciliador.
O que de fato elas quiseram dizer:
Âncora: Maria Cristina, estamos no fim da entrevista, faz aí um merchã do Haddad.
Maria Cristina: pois não, querida. Gente, o verdadeiro candidato de centro é o Haddad, ok?