O limite entre o certo e o errado

Em 2011, tive a imensa sorte de poder assistir a uma final de Taça Libertadores ao lado de meu filho, na época com 11 anos de idade. Foi no Pacaembú, quando o Santos venceu o Peñarol por 2 x 1 e conquistou a sua terceira taça.

Em janeiro, Bruno Covas certamente já sabia que seus dias estavam contados. Coloca-se, então, o dilema: cumprir seu dever público como prefeito de São Paulo, dando o exemplo do “fique em casa”, ou viver estes últimos momentos ao lado do filho, que levaria esta lembrança pelo resto de seus dias?

Confesso que critiquei o prefeito à época, mesmo intuindo a real extensão da doença. O homem público deve estar disposto aos maiores sacrifícios pela sua missão, pensei. Hoje, com a cruel realidade desnudada, e lembrando de minha própria experiência, acho que teria sido uma crueldade com seu filho negar-se a arriscar a sua imagem pública por algo que vai ficar pela eternidade.

Qual o limite entre o certo e o errado? Deixo para os especialistas do Facebook responderem. Eu, de minha parte, somente rezo para que Covas e seus familiares tenham forças para enfrentar essa tragédia.

Conhecimento vs intenção de voto

A manchete é: “Russomano lidera pesquisa de intenção de voto em São Paulo.

A manchete deveria ser: “Russomano e Covas são bem mais conhecidos do que os outros candidatos”.

A última pergunta do questionário é a mais importante: apenas 15% e 18% dos eleitores não ouviram falar do candidato, nos casos de Russomano e Covas. Em relação aos outros, esse número é perto de 50% ou mais.

Eleição funciona como a compra de um produto. Se alguém lhe parasse na rua e perguntasse qual margarina você compraria da seguinte lista:

  • a) Doriana
  • b) Becel
  • c) Overztol
  • d) Botteram

O que você responderia? O que você acha que a maioria das pessoas responderia? Pois é.

Nessa fase, em que a campanha eleitoral ainda não começou, a intenção de voto não passa de medida de conhecimento da marca. Não é à toa que Russomano sai na frente todo ano. Não estou dizendo que ele não vai ganhar este ano, estou apenas afirmando que ele precisa passar pelo teste da campanha eleitoral, onde derrapou nas últimas eleições.

Cabe notar que no pelotão seguinte de desconhecimento por parte do distinto público estão Boulos, França, Fidelix e Joice. A má notícia para Fidelix e Joice é que, mesmo com um nível de conhecimento intermediário, sua intenção de voto é baixa e sua rejeição é alta, desproporcionalmente alta. Fidelix está lá por folclore, mas Joice está para valer. Vai ter muito trabalho.

Ainda nesse sentido, eu não descartaria de cara Jimar Tatto. Ele é pouco conhecido e conta com a ainda formidável máquina do PT na cidade. Tem capacidade de embolar o meio de campo da esquerda com Boulos e França em busca de uma vaga para o 2o turno. Correm o risco de, se não houver voto útil, ficarem os 3 de fora.

A briga em São Paulo será difícil. Não será um passeio no parque como em 2016, quando Doria venceu no 1o turno pela primeira vez na história da cidade em que não houve 2o turno, na onda do anti-petismo. As forças estão dispersas, o eleitor está desconfiado de todo mundo. Como dizem os antigos, vai ser no fotochart.

Natal antecipado

Eu sabia que já tinha visto isso em algum lugar…

Covas tem se esforçado, com tenacidade e denodo, para não ser reeleito.

Maduro decreta Natal antecipado na Venezuela

Muito a desejar

Há alguns meses, as ciclofaixas de domingo foram desativadas após anos de funcionamento. Motivo: a prefeitura deixou vencer o contrato com o Bradesco, que patrocinava as ciclofaixas, e não tinha nenhum plano B no lugar. Resultado: uma opção a menos de lazer para os paulistanos no domingo.

Não me espanta, portanto, que o maior carnaval de rua do Brasil esteja esta zona narrada pela reportagem.

As eleições para a prefeitura de São Paulo costumam ser encaradas como um laboratório para as eleições gerais de dois anos depois. Afinal, trata-se do terceiro maior orçamento do País. Os moradores da cidade, no entanto, dão valor também, além dos embates ideológicos e políticos, para o que o prefeito faz ou deixa de fazer em termos administrativos. E, nesse quesito, Bruno Covas deixa muuuuuuito a desejar.

Ciclofaixas e eleições

Ontem senti falta da ciclofaixa do domingo, mas pensei: deve ser por causa da chuva, né?

Nada disso: foi incompetência da prefeitura mesmo, que não conseguiu repor o patrocinador que desistiu do contrato.

Não sei se foi um problema do contrato, que não previa aviso prévio, ou da prefeitura, que dormiu no ponto. Pouco importa. O culpado será sempre o prefeito.

Bruno Covas tem tentado se destacar com pautas da esquerda bem-cheirosa. A falta da ciclofaixa atinge em cheio justamente esse público, digamos, mais sensível à causa. O atual prefeito corre o risco de acabar o mandato falando sozinho.

Esperto é o Doria, que já se movimenta em direção ao seu plano B: Joice Hasselmann. E mais esperto ainda é o Bolsonaro, que já avisou que Joice não é a sua candidata.

As eleições para a prefeitura de São Paulo serão, como sempre, interessantes.

O xadrez da eleição paulistana

Bruno Covas já teria definido sua tática para as eleições de 2020: atacar pela centro-esquerda. Para tanto, contaria com centro-avante contratado do PT, o atual secretário da cultura, Ale Youssef.

Não sei se é verdade (essas notinhas costumam expressar mais a vontade de quem as plantou do que a realidade propriamente dita), mas a narrativa orna com a desastrosa administração Covas até o momento.

E Doria?

Bem, esse joga em todas as pontas. É natural que tenha um discurso partidário a mais de um ano das eleições. Afinal, ele conta com a máquina do partido para o seu projeto nacional. Mas certamente dará também seu apoio a Joice Hasselmann, se esta conseguir a indicação pelo PSL de São Paulo. Será um pouco como nas eleições de 2002, quando FHC tinha Lula como seu candidato in pectore e trabalhou muito pouco pela candidatura de Serra.

Doria, assim, manteria a máquina do partido, mas apostaria no cavalo certamente vencedor. Funcionará? A se ver.

Patinetes burocráticos

A prefeitura de Bruno Covas entrou em campo ontem para nos proteger desses malditos capitalistas que “só pensam no lucro”. Recolheu mais de 10% da frota de patinetes porque não havia “cadastro” das empresas junto à prefeitura.

A regra de não poder andar nas calçadas parece razoável. Afinal, trata-se de um veículo que pode andar com velocidade de ate 25 km/h e pode machucar quem não tem nada a ver com a escolha por esse meio de transporte. Quem usa o patinete (e o mesmo vale para bikes) deveria utilizar somente as ciclofaixas e ruas, e andar o “last mile” a pé. Até aí, parece de bom senso.

Outra coisa é recolher patinetes por falta de “cadastro na prefeitura”, em um mal disfarçado viés burocrático-estatista do atual prefeito. O resultado será a eliminação de mais uma opção de transporte em uma cidade ávida por soluções desse tipo. Estamos anotando, senhor prefeito.

PS: não uso patinete. Estou apenas defendendo o direito de empresas funcionarem sem exigências absurdas por parte do Estado.

Caos no aeroporto

Ontem foi minha vez de enfrentar o caos de Congonhas. O prefeito Bruno Covas conseguiu piorar algo que já era muito ruim.

Mas o culpado último pelo caos deve ser buscado lá atrás, bem mais lá atrás.

Congonhas é um aeroporto acanhado, que está longe de poder suportar o 2o maior tráfego aéreo do Brasil, perdendo somente para Cumbica. Simplesmente não há espaço para todos os passageiros que embarcam e desembarcam todos os dias. Somente um transporte de massas bem estruturado poderia resolver o problema.

Chegamos então no culpado-mor pelo caos, um outro tucano de alta plumagem, que prometeu o monotrilho da linha ouro para a Copa do Mundo. Não de 2018, a de 2014. Este monotrilho um dia ligará Congonhas ao sistema de metrô. Um dia.

Se o autointitulado “gestor” tivesse atrasado a obra em “somente” 4 anos, hoje não estaríamos imprecando contra seu filhote político. Prefeito Bruno Covas, quando você perder a próxima eleição, já sabe de quem é parte da culpa.

Pobres professores

Trecho da entrevista com o prefeito de São Paulo, Bruno Covas.

Valores MÉDIOS das aposentadorias de professores da rede municipal.

Julguem.

(Uma informação: o rendimento médio dos 10% mais ricos da população brasileira foi de R$ 6.629 em 2017, segundo o IBGE)