Por que estão indo embora?

O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira escreve artigo tocante sobre o êxodo de brasileiros, principalmente jovens.

Ele candidamente se pergunta por quê. Afinal, não estamos enfrentando nenhuma calamidade como as que justificaram os grandes fluxos migratórios. Não tendo encontrado resposta, Mariz, então, aponta o dedo para o “desprezo, arrogância, autossuficiência, individualismo, preconceito e discriminação” desses desertores, fruto de uma herança “imperial, patrimonialista, escravocrata”.

A solução? “Solidariedade, compreensão, desprendimento, amor”.

Difícil saber por onde começar. Talvez pelo curriculum do autor. Antônio Cláudio Mariz de Oliveira é decano de uma classe de advogados chamados de “garantistas”. Sua arte está em explorar os inúmeros meandros do Código Penal brasileiro para livrar a cara de seus clientes endinheirados, que permanecem no Brasil por patriotismo, e não porque aqui a lei não vale para todos. A isso chamam de Estado Democrático de Direito.

A disfuncionalidade da nossa justiça certamente é um fator que nos leva ao atual estado de coisas desanimador, a tal ponto que expulsa nossos melhores cérebros. Preferem migrar para países sérios, onde partidos como o PT, pilhado no saque do Estado não uma, mas duas vezes, já estaria proscrito faz tempo. Aqui em pindorama, tratamos o seu chefão como um grande estadista.

Instituições fortes (e a justiça para todos é uma das principais) é condição sine qua non para o desenvolvimento de um país. O que os jovens podem esperar de um país onde ter sido advogado do PT ou de seu chefão é condição suficiente para a sua indicação à mais alta corte? Será que o patrimonialismo vituperado pelo advogado é pecado de quem está abandonando o barco? Ou estão indo embora justamente porque não fazem ou não querem fazer parte das panelinhas do poder?

Não, meu caro Mariz. Os jovens estão indo embora não porque lhes falte solidariedade ou gratidão. Estão indo embora porque não veem futuro em um país que funciona na base das chicanas, tão bem exploradas pelos amigos do rei.

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