Enquanto a Folha espalha fake news, o Estado dá nome aos bois.


Apenas um repositório de ideias aleatórias
Enquanto a Folha espalha fake news, o Estado dá nome aos bois.



Tem tantas coisas pra escrever sobre esse episódio…
Vou ficar somente na declaração do advogado do Chapito.
Advogado criminalista é tudo igual, só muda o endereço.
É incomensurável a distância, em termos de poder, entre Jair Bolsonaro e Luciano Bivar. O primeiro é só o presidente da República com uma popularidade não desprezível. O segundo é o obscuro presidente de um partido obscuro. Como então Bolsonaro está passando vexame público na queda de braço com o presidente do seu partido?
Bem, descobrimos todos que presidente de partido manda bagarai. A democracia brasileira (aliás, qualquer democracia liberal) é baseada nos partidos políticos. A vida parlamentar, onde as decisões que importam acontecem, gira em torno dos partidos.
Por isso, em partido com dono, é o dono que indica o presidente. No PT, por exemplo, para ser presidente do partido tem que ter a bênção de Lula. Mesmo de dentro da cadeia. Em partido sem dono, como o PSDB ou o PMDB, o presidente do partido é eleito atendendo às muitas correntes internas.
O PSL é um partido com dono. Chama-se Luciano Bivar. Como todo dono de partido, ele controla verbas e diretórios. Nem a caneta presidencial consegue superar esse poder. Ou melhor, conseguiria, se estivéssemos tratando da “velha política”. Mas como Bolsonaro inaugurou a “nova política”, em que não há barganhas em troca de votos, eventuais promessas de cargos e outras benesses carecem de credibilidade. Afinal, os deputados do PSL foram eleitos sob a bandeira da “nova política”. Como poderiam ceder à “velha”?
Bivar é velha, velhíssima política. E está dando um nó tático em Bolsonaro. No final, o poder do presidente da República deve prevalecer. Afinal, é o presidente da República contra um reles presidente de partido. Mas a batalha deve deixar muitos mortos e feridos no meio do caminho. E o exército de Bolsonaro ficará ainda menor.


EUA e China lideram o ranking de emissores de gases de efeito estufa.
Mas é o Brasil que será o alvo das atenções na semana do clima.
Isso porque os países com as maiores dívidas com o dito combate às alterações climáticas encontraram uma aliado de peso: a retórica inflamada do presidente brasileiro.
Na comunicação, controlamos o que dizemos, mas não o que o outro entende. Ao reafirmar estridentemente a soberania brasileira sobre a Amazônia, Bolsonaro quer dizer que a preservação da região é responsabilidade do País, e vamos cumprir nosso dever dentro dos nossos interesses. Os receptores da mensagem, no entanto, entendem que o Brasil vai destruir tudo mesmo e ninguém tem nada a ver com isso. Reforça esse entendimento a retórica do “vocês também desmataram, por que eu não posso?”.
Óbvio que há uma má-vontade da imprensa global com relação a Bolsonaro. Mas essa má-vontade é cuidadosamente cultivada pelo presidente, que não perde oportunidade de “lacrar” para o seu público interno.
O problema é quando essa má-vontade extrapola o âmbito das redações e redes sociais e vaza para as relações diplomáticas e comerciais. Via de regra, os países são pragmáticos na condução de seus negócios, e não se deixam contaminar por “embates ideológicos”. Não fosse por isso, a China seria um pária internacional. Dentro desse pragmatismo, EUA, Europa e China encontraram o vilão perfeito do clima na figura do presidente incendiário. Falta pragmatismo ao lado brasileiro.
Hoje a Petrobras anunciou a produção média de petróleo no terceiro trimestre: 2,2 milhões de barris/dia, a maior produção da história da empresa.
Lembrei de um gráfico que vi em 2013 no site da Petrobras, que previa a duplicação da produção de petróleo até 2020. Procurei nos meus arquivos e encontrei (tenho por hábito guardar essas “previsões” para depois conferir). Era o tempo da “Petrobrás Grande”, em que o pré-sal era o nosso passaporte para o futuro e a Petrobras carregaria o Brasil nas costas.
Bem, o resto é história.
No gráfico abaixo comparo a previsão com a realidade. Hoje produzimos apenas 10% a mais de petróleo do que em 2013. Muito, mas muito distante da promessa de 4,2 milhões de barris. O pré-sal já representa 60% da produção, o que significa que os outros poços deixaram de produzir. Ficamos patinando por anos em 2 milhões de barris, e só recentemente a produção parece querer mudar de patamar.

A Petrobras foi vítima de rapina e de políticas equivocadas, como o congelamento dos preços dos combustíveis, a exigência de conteúdo nacional de seus fornecedores, a obrigação de participar de todos os leilões com, no mínimo, 30% do investimento e a construção de refinarias superfaturadas. O resultado foi o de alcançar, orgulhosamente, o posto de empresa mais endividada do mundo, sem a mínima capacidade de investimento.
A previsão de produção de 4 milhões de barris/dia foi uma de tantas previsões que naufragaram na incompetência e em visões pré-históricas de como funciona a economia e os negócios. Por isso, fico possesso quando leio “economistas do outro lado” pontificando sobre as “saídas” para a crise. Uma crise criada pelas suas belas teorias aplicadas ao dia-a-dia dos coitados dos brasileiros.
Sempre que você ouvir algum economista defendendo o Estado como “indutor” do crescimento, lembre-se do gráfico abaixo. E não se deixe enganar pelo embusteiro.
Na copa do escritório, assistindo à Globo News.
As apresentadoras, muito contentes, dão a notícia de que a NASA está realizando o primeiro passeio espacial somente com astronautas mulheres.
Comigo na copa, duas mulheres.
A primeira, mãe e profissional bem sucedida, diz: “mas o que tem a ver isso? Que bobagem. Esse mundo tá muito chato”.
A segunda, a copeira do escritório, responde: “concordo. Não tem nada a ver”.
Eu, de minha parte, respeitei o lugar de fala e fiquei quieto no meu canto.
Não consigo pensar em nada mais “velha política” do que essa briga pelo butim do PSL.
Dias Toffoli comenta a prisão depois da condenação em 2a instância. Vale a pena ver de novo!

Entrevista com FHC sobre o lançamento de seu último livro com anotações do seu tempo na presidência, que cobre o período de 2001-2002.
O jornalista pergunta a respeito do “alto preço” que representaria a eleição de Lula, mencionado por FHC no livro. Mas, ao invés de perguntar qual seria este alto preço, fecha a pergunta: o “alto preço” seria o governo Bolsonaro?
A pergunta poderia ser fechada de várias formas. Por exemplo: o alto preço seria a corrupção desbragada? Ou, o alto preço seria a maior recessão da história do Brasil? Ou ainda, para um jornalista com alguma finesse de raciocínio, o alto preço seria a destruição das instituições tão arduamente construídas em torno do Real?
FHC poderia ter sido grosso, e responder para o jornalista: “olha, meu filho, fui um bom presidente, mas longe de ser um Nostradamus a ponto de adivinhar que Bolsonaro seria eleito 16 anos depois como resposta às cagadas do PT”. O ex-presidente prefere se eximir de responder qual seria este “alto preço”, e pega a deixa do jornalista para falar de Bolsonaro. O fechamento da pergunta no atual presidente livra a cara de FHC de ter que criticar Lula.
Convém frisar: para o jornalista, o “alto preço” que o país pagou não foi a roubalheira ou a depressão econômica. O alto preço foi a reação da população a essas coisas, foi a eleição de Bolsonaro. É do balacobaco.