A volta dos mortos-vivos

E não é que a Marta Suplicy não morreu?

Com a cara de pau própria dos políticos profissionais, eis que Marta volta à cena, em entrevista ao Estadão. Muito instrutiva, por sinal. Eu não sabia, por exemplo, que meninas que têm mais irmãs do que irmãos são feministas desde o berço. Conclusão que deve ter vindo de seus estudos sexológicos.

No campo político, Marta decretou que Lula é um preso político. Marta saiu do PT, mas o petismo não saiu de Marta. O fato de ter pulado do barco no auge do “golpe” justamente para o partido do golpista-mór foi apenas um acidente de percurso, do qual ela se arrepende. Agora.

Com relação a 2022, o candidato para vencer Bolsonaro não pode ser um outsider, como Doria, mas Luciano Huck é um “nome muito interessante”, pois ele está “focado em aprender sobre política”. É a figura do “paraquedista esclarecido”.

Política deve ser um vicio pior que drogas ou bebida. A pessoa simplesmente não consegue ficar fora. Marta tenta desesperadamente voltar ao jogo eleitoral, para sentir aquela adrenalina da campanha e, depois, do poder. Para isso, tenta recuperar o capital político perdido com sua traição ao PT na hora mais escura do partido. Marta, ao migrar para o PMDB, perdeu seus eleitores de esquerda e, obviamente, não conseguiu ninguém à direita. Ao tentar voltar ao ninho, Marta só confirma o que todos já sabiam: não passa de uma oportunista como qualquer outro.

Renda/Capita: o verdadeiro indicador de riqueza

Fiz esse gráfico simples com dados do FMI. Ele mostra a evolução do PIB/capita (conceito de poder de compra) de Brasil, Chile, Coreia e China em relação ao PIB/capita dos EUA. Ou seja, quanto os cidadãos desses países se aproximaram do poder de consumo do norte-americano médio.

Antes que digam que não são coisas comparáveis porque cada um desses países têm redes de proteção social diferentes, vale lembrar que renda é renda. Qualquer “rede de proteção social” deve ser financiada pela renda gerada pelo país, ela não desce de Marte. Então, o PIB/capita, que é a renda gerada pelos cidadãos do país, é uma boa medida do bem-estar médio dos cidadãos.

Pois bem. No início dos anos 80, nosso PIB/capita representava quase 40% do PIB/capita americano. Era o maior dos 4 países selecionados. Hoje, menos de 40 anos depois, representa 25% da renda de um americano. É o menor dos 4 países.

O PIB/capita do Chile aumentou de maneira relevante, de menos de 30% no início da década de 80 para mais de 40% no início desta década. A partir daí, estagnou. Alguma coisa aconteceu. E não é problema de “falta de igualdade”.

China e Coreia não interromperam suas trajetórias de enriquecimento, embora a Coreia tenha diminuído o ritmo nos últimos 5 anos, o que é compreensível, dado o alto patamar de 70% do PIB dos EUA. A partir desse nível, é esperado que o crescimento seja mais lento mesmo.

Críticos desse tipo de análise poderão dizer que PIB não é tudo. Seria preciso analisar outros indicadores de bem-estar do povo. “Igualdade” seria um deles: de que adianta muita riqueza, se fica concentrada nas mãos de poucos?

A experiência mostra que os países mais ricos são os que apresentam melhor distribuição de renda. A distribuição melhora com a riqueza, não o contrário. E é fácil de entender porque: fica mais fácil fazer “política social” quando se tem dinheiro. Distribuir o que não se gera é a receita do desastre.

A evolução do PIB/capita continua sendo o melhor indicador do sucesso material de uma sociedade. O resto é utopia.

A sina da América Latina

Notícias extraídas do jornal O Estado de São Paulo

Uma vez latino-americano, sempre latino-americano.

Tivemos um dia a ilusão de que o Chile fosse se transformar na Europa dentro da América Latina, servindo como exemplo para os seus vizinhos.

Mas não, foi o contrário. O Chile é que está sendo arrastado pela pesada herança latino-americana. As declarações dos jogadores da seleção, todos regiamente pagos no futebol europeu, ressoam as “veias abertas da América Latina”. “Justiça social!”, gritam. Desde que seja com o dinheiro dos outros.

Sebastian Piñera entregou os Sudetos para os manifestantes apenas cinco dias depois de iniciados os atos de vandalismo. Margareth Thatcher aguentou mais de um ano de greves contra o seu programa econômico. Mas era Margareth Thatcher. Nossos líderes também são latino-americanos, não se esqueça.

Congelamento de preços de tarifas é o inicio do fim. O Chile atingiu o seu pico, e agora é ladeira abaixo. Daqui a dez anos, descobriremos que a renda do Chile estagnou. Guardem essa previsão e me cobrem.

O Brasil não é diferente. Estamos fazendo reformas liberalizantes por precisão, não por boniteza. O dinheiro simplesmente acabou. Quando voltar a sobrar um pouco, voltaremos à esbórnia. Faz parte do nosso DNA, do DNA latino-americano: esperamos tudo de um Estado que está aí para resolver nossos problemas. “Igualdade” é só um outro nome para estatolatria.

Protestos no Chile

Estão querendo comparar os distúrbios no Chile com as manifestações brasileiras de 2013.

Há uma certa semelhança em seus inícios, com o reajuste dos preços dos transportes públicos servindo de estopim para manifestações violentas. Mas por enquanto, é só.

No Brasil de 2013, multidões foram às ruas reclamar da inépcia do governo, que iria patrocinar uma Copa do Mundo “padrão FIFA” e, ao mesmo tempo, entregava serviços “padrão CBF” para a população. Onde estão as multidões no Chile? Por enquanto, estão em casa. Em todas as fotos, o que aparece são elementos dispersos jogando bombas Molotov e quebrando tudo. Isto não é manifestação, é vandalismo.

Os problemas elencados pelos “analistas” resumem-se ao péssimo sistema de saúde pública, ao endividamento da juventude com as mensalidades dos cursos superiores e às aposentadorias muito baixas. Esse conjunto de mazelas recebe o nome genérico de “desigualdade”, o que é muito útil quando se quer demonizar o capitalismo liberal pelos problemas insolúveis da sociedade.

No final do dia, trata-se de criar mecanismos em que a sociedade como um todo subsidie a renda dos mais pobres. Fim muito nobre, mas de boas intenções o inferno está cheio. Temos montanhas de exemplos ao longo da história demonstrando que a máquina criada para “redistribuir” a renda cria vida própria, engolindo boa parte da renda da sociedade. O resultado é pobreza generalizada.

Infelizmente, a escolha se dá entre igualdade e geração de riqueza. As sociedades que buscam a igualdade a todo custo acabam na pobreza. E, adivinha, quem sofre são justamente os mais pobres.

Tenho consciência de que esse tipo de raciocínio fere os espíritos mais sensíveis, os monopolistas do bem. Só eles sabem o que é sofrer, ser pobre, e só eles têm a solução para o “problema da desigualdade”. Esse pessoal vive em um mundo utópico, onde todos têm acesso à USP, ao Einstein e à aposentadoria integral. Bastaria ter “vontade política”, e todos esses problemas se resolveriam como que em um passe de mágica. Só não fazem isso (sujeito indeterminado) porque esses capitalistas são maus como o pica-pau. São “a favor da desigualdade”, como sugere a legenda da foto abaixo.

Isso aí no Chile não vai dar em nada, por ser iniciativa de meia dúzia de “revolucionários toddynho”, como este que aparece na foto abaixo. A maioria dos chilenos sabe que, apesar das mazelas de todo país subdesenvolvido, o Chile é uma ilha de prosperidade dentro da América Latina.

Foto extraída do jornal O Estado de São Paulo

Hambre Cero

José Graziano foi o responsável por implementar o programa “Fome Zero” logo no início do governo Lula. Era a menina dos olhos do então presidente.

Não demorou muito tempo, Graziano foi defenestrado do governo. O programa “Fome Zero” foi substituído pelo “Bolsa-Familia” e o resto é história.

Agora, o candidato peronista vai patrocinar o “Hambre Cero”, versão argentina do finado programa brasileiro.

O que chama a atenção é a inconsistência da coisa toda: esse pessoal phode com a economia, joga milhões de pessoas na pobreza com alto desemprego e inflação, e depois vêm patrocinando programas para minorar os efeitos de suas próprias políticas.

Só tem um jeito de minorar a fome de maneira permanente: políticas econômicas responsáveis ao longo de muito tempo, de gerações. O resto é só “vontade política”, sinônimo de voluntarismo e populismo, que criam mais pobreza e fome no longo prazo. Até quando os latino-americanos vão se deixar enganar por esses embusteiros?

Budismo brasileiro

Hoje tem uma entrevista com a Monja Coen.

Muito prazer.

Fiquei sabendo que Monja Coen é um dos expoentes do budismo no Brasil.

Em sua entrevista, Monja Coen cita três pensadores: Leandro Karnal, Mário Sérgio Cortella e Neymar. Este último nem precisou falar, o elevado pensamento está tatuado em seu pescoço: “tudo passa”.

Monja Coen visitou Lula na cadeia. O trecho vai abaixo. Concluí que na PF de Curitiba está nascendo mais um líder budista no Brasil.

Chico Anisio tinha um personagem chamado Bento Carneiro, o vampiro brasileiro. Era um vampiro avacalhado, mas que desejava ser levado a sério. Os quadros com o personagem sempre terminavam com Bento cuspindo de lado e dizendo “vampiro brasileiro, hmm”, em referência à falta de seriedade de tudo o que é brasileiro.

Nem o budismo escapou da avacalhação brasileira.

Manifestantes

Foto extraída do jornal O Estado de São Paulo

“Manifestantes”

Conhecemos bem esses manifestantes encapuçados.

Os “especialistas” dizem que a revolta é contra um sistema neoliberal que nega acesso ao povo aos bens básicos de saúde, educação e aposentadoria, entregues que estão às forças do mercado. Também conhecemos bem esses “especialistas”.

Em 1988, ano de nossa Constituição Cidadã, a renda per capita brasileira era de 11,4 mil dólares, contra 8,1 mil dólares do Chile (números em paridade do poder de compra). Trinta anos depois, o Brasil tem renda per capita de 14,3 mil dólares, contra 22,8 mil dólares do Chile.

Desigualdade? Segundo dados do Banco Mundial, o índice de Gini do Brasil é de 0,533 contra 0,466 do Chile (quanto menor o índice, menos desigual é o país). O índice dos EUA é de 0,415.

Sim, os chilenos que estão nas ruas querem que o Estado cuide melhor deles. Deveriam olhar para os exemplos de Venezuela, Argentina e Brasil, onde o Estado cuidou muito bem das pessoas nos últimos 30 anos.

Cintra vai reestruturar o PSL

Retirado do jornal O Estado de São Paulo

Cintra foi escorraçado do governo por tocar o samba de uma CPMF só. Até agora não temos notícia de outra proposta de reforma tributária do governo.

Eis que, não mais que de repente, ressurge das cinzas o paladino do Imposto Único. Ficamos sabendo que Luciano Bivar, ele mesmo, é entusiasta da ideia. Cintra vai subsidiar o partido do governo com suas ideias.

Partido do governo?

Quer dizer que o partido do governo vai defender uma ideia de “reforma tributária” já supostamente morta e enterrada pelo próprio governo?

Os gatos continuam brigando dentro do saco.

O país do jeitinho

Extraído do jornal O Estado de São Paulo

Uma grande “janela partidária” está sendo negociada para anistiar os políticos que querem trocar de partido sem perder os seus mandatos. A partir daí, a lei seria seguida rigidamente. Faltou só aquela piscadinha marota para o interlocutor.

O Brasil é o país da anistia, da lei que não pega, do jeitinho.

Outro dia, foi aprovada lei que anistiou os donos de imóveis que haviam construído de maneira irregular em São Paulo. Deve ser a 595a lei nesse sentido. Quem segue a lei para construção é trouxa.

E Refis então? Basta esperar, virá uma lei para livrar a cara de quem não pagou imposto. Mas será a última, certo? Piscadinha marota.

Os Estados quebrados também têm suas contas “renegociadas”. Mas sabe como é, o STF não vai deixar que “necessidades urgentes da população” não sejam atendidas. Então, a renegociação é só pra inglês ver mesmo.

A lei de responsabilidade fiscal vinha para acabar com os problemas financeiros dos Estados. Mas era uma lei muito dura, não pegou.

O teto de gastos é também uma lei muito dura. Imagine estar impedido de dar aumento real de salário para os funcionários públicos? A lei é importante, mas não pode ser tão draconiana assim. E toca arrumar jeito de flexibilizar.

Corrupto na cadeia? Sem dúvida, mas só depois de passar por todas as chicanas do “Estado Democrático de Direito”. Afinal, somos um país que se dá ao respeito.

Não adianta lamentar, faz parte do DNA do país.

Não levamos nada a ferro e fogo. Nossa independência foi decretada pelo príncipe, e passamos por 3 golpes de Estado sem o derramamento de uma gota de sangue sequer. Deve ser recorde mundial. Ah, ok, teve a Revolução Constitucionalista de 32, em que morreram algo como 5 mil cidadãos. Uma sombra, se comparado aos mais de 500 mil mortos da Guerra de Secessão, por exemplo.

Há quem prefira assim. Afinal, resolver tudo na base do jeitinho tem suas vantagens. Melhor uma vara flexível que verga do que uma rígida que quebra. É um ponto de vista. Mas depois não adianta reclamar que o Brasil não é um país sério.