Agora, estão exigindo do governo do Nepal que regulamente quem pode e quem não pode subir o Everest. Suponha que isso acontecesse. O governo do Nepal, como resultado, chamaria para si a responsabilidade pela vida dos alpinistas. Afinal, se deu seu aval, é porque havia segurança para a escalada. Imagine a montanha de processos.
Claro que a Associação de Montanhismo do Nepal poderia chamar a si esta responsabilidade, com o aval do governo. Seria a Associação a garantir a segurança da subida. Mas quem quer esse abacaxi? Melhor nas costas do Estado.
O governo do Nepal, um país paupérrimo, ganha 11 mil dólares por permissão de escalada. Fora o dinheiro ganho pelas agências locais de turismo e pelos guias, os sherpas. Aí, para proteger a vida dos “heróis” que querem tirar selfies no topo do mundo, vai dar um tiro no próprio pé. Pode ficar esperando sentado.
A prefeitura de Bruno Covas entrou em campo ontem para nos proteger desses malditos capitalistas que “só pensam no lucro”. Recolheu mais de 10% da frota de patinetes porque não havia “cadastro” das empresas junto à prefeitura.
A regra de não poder andar nas calçadas parece razoável. Afinal, trata-se de um veículo que pode andar com velocidade de ate 25 km/h e pode machucar quem não tem nada a ver com a escolha por esse meio de transporte. Quem usa o patinete (e o mesmo vale para bikes) deveria utilizar somente as ciclofaixas e ruas, e andar o “last mile” a pé. Até aí, parece de bom senso.
Outra coisa é recolher patinetes por falta de “cadastro na prefeitura”, em um mal disfarçado viés burocrático-estatista do atual prefeito. O resultado será a eliminação de mais uma opção de transporte em uma cidade ávida por soluções desse tipo. Estamos anotando, senhor prefeito.
PS: não uso patinete. Estou apenas defendendo o direito de empresas funcionarem sem exigências absurdas por parte do Estado.
Ao proibir o trabalho insalubre de gestantes, o STF reconhece o status legal dos nascituros. Sim, porque a única diferença entre uma mulher grávida e uma não grávida é o nascituro. Se a primeira não pode trabalhar em condições insalubres e a segunda pode, então só pode ser por causa da existência do nascituro.
O ministro Marco Aurélio Mello foi o único a divergir, defendendo a “liberdade da mulher no sentido maior”. Nenhuma referência ao nascituro. Marco Aurélio Mello passa a ser o único ministro do STF que pode defender o aborto sem cair em contradição.
Pensei em destacar um ou outro trecho dessa reportagem, mas quando fui ver, já tinha mais de 5 trechos. Por favor, leiam. É o exemplo acabado de como os “especialistas” encastelados na academia estão desconectados da realidade. O choque entre as críticas dos “especialistas” e os depoimentos dos entregadores dói nos olhos.
E o STF vai melar a venda da TAG! Que surpresa, que plot twist nesse roteiro!
Tem que ter autorização legislativa, dizem Lewandovsky e Fachin. Pergunto: o legislativo autorizou a Petrobras a construir a TAG? Por que então cargas d’água precisa de autorização pra vender?
Mas o STF tá certo. É preciso esfregar na cara dos brasileiros que, ou privatizamos de vez esse elefante branco, ou devemos nos conformar em carregar esse encosto por toda a eternidade.
Confesso que é a primeira vez que leio essa denominação para algum partido de esquerda.
Não que eu concorde ou deixe de concordar, mas sinto um certo alívio em saber que o espectro político vai até os extremos nas duas pontas, e não apenas para a direita.
Luis Eduardo Assis, ex-diretor do BC, escreve artigo com um assunto sobre o qual já havia lido em outros lugares: o estímulo estatal a indústria local anunciado pelo ministro das finanças da Alemanha.
Segundo Assis, deveríamos aprender com a Alemanha. Afinal, eles têm um sucesso incontestável na indústria e, se eles estão planejando suporte estatal, então deve estar certo!
Seria assim se fosse assim.
O próprio artigo aponta que, de 1991 para cá, a representatividade da indústria no PIB da Alemanha caiu levemente, de 24,9% para 21,1%, enquanto no Brasil despencou de 22,1% para 10,5%. O que deveríamos estar investigando, então, é o que a Alemanha fez de diferente do Brasil nesse período, não aquilo que foi anunciado pelo ministro, cujos resultados conheceremos apenas nos próximos anos.
Confesso que não sei o que a Alemanha fez, mas nós sabemos o que fizemos para destruir a nossa indústria nos últimos 30 anos. O próprio autor do artigo descreve: “juros subsidiados, incentivos fiscais e reservas de mercado”, em grande parte aproveitados por “lobbies poderosos que capturaram o Estado”. Perfeito. E o que temos a aprender com o neo-intervencionismo alemão? Na verdade, parece que eles têm mais a aprender conosco nesse quesito.
O Valor traz uma reportagem sobre como a indústria 4.0 tem tido uma implementação muito lenta no Brasil.
O diagnóstico é a falta de mão de obra qualificada. Talvez a intervenção estatal seja por aí, na formação da mão de obra, e não um fundo para evitar a desnacionalização de empresas, que é o que a Alemanha acabou de fazer. Fora resolver o pesadelo tributário, a infraestrutura precária e todos os outros obstáculos que fazem do industrial brasileiro um herói da sobrevivência.
Há muito o que fazer para chegarmos ao patamar onde hoje se encontra a Alemanha, para daí pensarmos em estímulos diretos à indústria. Os quais, como vimos no caso brasileiro, não servem de nada. O autor do artigo diz que os alemães nos ensinaram a jogar futebol. Não custa lembrar que a seleção alemã foi humilhada na última Copa, sendo eliminada na primeira fase. Arrisco a dizer que, adotando a receita brasileira, a Alemanha arrisca a sua indústria ao mesmo destino.