Falta um Lula

A sorte da esquerda brasileira foi o surgimento de um Lula. Pragmático, centralizador, com uma sede de poder inigualável, Lula fez o diabo para chegar e se manter no poder.

Falta um Lula ao Podemos da Espanha.

O partido se esfacelou após várias brigas internas, enquanto seu fundador tirava 3 meses (3 meses!) de licença-paternidade. Nada mais coerente com o discurso de “direitos sociais”, nada mais ridículo para quem se propôs tomar o poder.

O Podemos continua contando com o voto de “estudantes” de ciências sociais de 30 anos de idade. Mas sem um Lula, não vai conquistar o voto da classe média que trabalha e produz a riqueza do país.

O PT sem Lula é um Podemos. Destinado a esfacelar-se, perdido em lutas internas, com a atuação de um grêmio estudantil, contando com o voto de “estudantes” de 30 anos de idade. Por isso o desespero do partido em manter Lula vivo. Lula é a única coisa que mantém o PT vivo.

P.S.: A ameaça da política espanhola agora é o “ultradireitista” Vox. Não, você não vai ver o Podemos ser chamado de “ultraesquerdista”. Para a imprensa, não existe partido ultraesquerdista.

O exemplo vem de baixo

O presidente dos Correios é contra a privatização. Ele dá como exemplo a Argentina.

No nosso vizinho, os correios foram privatizados no governo Carlos Menen, para depois serem reestatizados por Nestor Kirshner.

Depois desse movimento e de muitos outros semelhantes, a Argentina se tornou um país próspero, a locomotiva da América Latina. Sigamos o exemplo da Argentina.

Duvída seríssima

A manchete diz: “Marco Aurelio tem dúvida seríssima sobre a existência dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro”.

Aí você vai ler, e a dúvida se refere somente à lavagem. Não há dúvida sobre corrupção. É “somente corrupção” ou “corrupção mais lavagem”.

Tenho dúvida seríssima sobre a capacidade de interpretação de texto do jornalista.

O populista e as más notícias

Esse foi o tuíte de Bolsonaro comemorando o Caged de fevereiro.

Na época, pensei cá com meus botões: além do efeito “carnaval em março”, que distorce a comparação com fevereiro de outros anos, é muito, mas muito cedo ainda, para atribuir ao novo governo a criação de vagas. Tudo o que está acontecendo agora na economia ainda é, em boa parte, efeito dos governos passados. A economia real é um bicho que reage lentamente.

Agora que o Caged apontou surpreendente corte de empregos em março, fiquei esperando o tuíte do presidente pedindo desculpas pelo corte de vagas. Não virá, por óbvio. Porque o populista só aparece para dar as boas notícias.

O Brasil das corporações

Esta fala que vai abaixo foi cometida pelo inefável Ciro Gomes. Elogia a pressão dos caminhoneiros e sugere que os brasileiros façam o mesmo para defender a universidade pública, a Petrobras, a Embraer.

O que Ciro está sugerindo é que cada categoria que tenha alguma força de barganha tome a nação como refém e exija do governo como resgate alguns benefícios negados ao restante da sociedade. Negados não, subtraídos, pois se alguém está levando um benefício artificial, pode contar que quem está pagando é quem não tem poder de barganha.

Ciro defende apaixonadamente o Brasil das corporações.

O sistema judicial brasileiro

Imagine que um juiz valide um gol. Então, os árbitros de vídeo são acionados para julgar se foi mesmo gol. Tendo sido o gol validado, outros árbitros de vídeo são chamados para validar a decisão dos primeiros árbitros de vídeo. Tendo sido o gol validado novamente, outros árbitros de vídeo são chamados para validar a decisão dos dois conjuntos de árbitros de vídeo anteriores. A cada decisão tomada, cabem recursos dos times em campo para cada conjunto de árbitros de vídeo. Enquanto isso, os times e os torcedores aguardam a decisão em campo, jogando baralho.

Este é o sistema judicial brasileiro.

Mais corrupto do que nunca

O pessoal está focando na redução da pena.

Foco errado.

O STJ é o 2o tribunal que confirma a condenação de Lula dada pelo juiz Sérgio Moro. Lula é, cada vez mais, oficialmente corrupto.

PS: Não custa lembrar que a pena de Moro havia sido de 9 anos e meio. O STJ reduziu a pena em 8 meses (somente 7% abaixo da pena inicial).