

Se a inflação de março de 2018 tivesse sido de zero, a manchete seria “a inflação foi infinitos porcento maior”? E se tivesse sido negativa? “A inflação foi menos 20 vezes maior”?
Nem acho que seja má fé. É dificuldade mesmo de interpretar números.

Apenas um repositório de ideias aleatórias


Se a inflação de março de 2018 tivesse sido de zero, a manchete seria “a inflação foi infinitos porcento maior”? E se tivesse sido negativa? “A inflação foi menos 20 vezes maior”?
Nem acho que seja má fé. É dificuldade mesmo de interpretar números.
Diálogo no táxi.
– O senhor aceita cartão?
– Ô doutor, minha maquininha tá sem bateria.
– Pois vai precisar carregar, porque estou sem dinheiro.
Longo suspiro, terminando em um bufo.
– Pô doutor, essas maquininhas cobram 3% da corrida. Fica ruim pra gente.
O resto da corrida foi temperada com mau humor.
O Uber continua sem concorrência.


Já escrevi sobre isso aqui, e o ministro Paulo Guedes, que não é bobo, sabe como funciona a mente humana.
Colocado diante da possibilidade de receber antes um benefício, é óbvio que a pessoa optará por isso, mesmo que seja um benefício menor. O raciocínio é simples: sabe-se lá se vou estar vivo daqui a 5 anos, quero receber agora.
Ao tornar a regra opcional, Paulo Guedes, na prática, terá a mesmo efeito do que se a regra fosse obrigatória. Gênio.




O nosso ministro-astronauta já externou sua preocupação com os 100 mil funcionários dos Correios, que estariam ameaçados pela privatização. Afinal, são 100 mil famílias que dependem desse ganha-pão.
A mesma preocupação deve nortear a privatização das companhias de água e esgoto. Afinal, depois de privatizadas, as empresas vão demitir e achatar os salários, pois empregam muito menos gente para o mesmo nível de faturamento.
Se as encomendas estão sendo entregues ou se as casas estão sendo servidas por sistemas de esgotos, isso é um mero detalhe, que importa apenas para os milhões de brasileiros que usam os serviços dessa empresas. O que importa de fato é a manutenção do emprego improdutivo de alguns milhares de funcionários. Afinal, todos são seres humanos, mas alguns são mais humanos do que outros.

Para o “especialista” da PUC-RJ, as ações de Dias Toffoli são “infelizes” porque enfraquecem o Judiciário em um momento em que a Constituição está sendo ameaçada pelo neoliberalismo do novo governo. Um verdadeiro “desmonte da nossa história”.
Ou seja, Dias Toffoli não está errando por atentar contra a Constituição que diz defender. Existe aqui apenas uma espécie de “erro tático”, em uma guerra contra os neoliberais.
Além disso, o Supremo não seria apenas o guardião da Constituição. Segundo o douto “especialista”, cabe ao Supremo defender ESTA Constituição social-democrata, e não qualquer outra legitimamente aprovada pelo Legislativo. Como se houvesse uma espécie de determinismo histórico, em que nada que não seja “social-democrata” fosse legítimo. “Desmontar” essa história seria passar por cima de uma “cláusula pétrea”, acima até das prerrogativas do Legislativo.
Fique tranquilo o “especialista”. Nossa história social-democrata não está ameaçada. Vide, por exemplo, o 13o salário do bolsa-família e a resistência de diversos ministros à privatização de estatais. Esse governo quer dar apenas um pequeno tilt para o liberalismo, nada muito tóxico. E, considerando o retumbante fracasso econômico da social-democracia, quem sabe pode até funcionar. E, se não funcionar, os sociais-democratas estarão sempre a postos para “salvar” o Brasil, com suas fórmulas de sucesso que funcionaram tão bem nos últimos 30 anos.
Marcos Pontes, o astronauta-ministro, é a favor da privatização dos Correios. Desde que preserve os 100 mil funcionários do elefante branco.

Minha sugestão é a seguinte: privatiza, e todos os funcionários dispensados pelo novo controlador, a União contrata pelos mesmos salários que recebiam nos Correios. Para fazer o que? Nada. Se foram dispensados, é porque sua função era dispensável. Portanto, serão contratados para ficar em casa.
Para tanto, será preciso que o Congresso aprove uma verba, que poderia ser chamada de “bolsa-ineficiência”, e que seria usada para explicitar o custo da ineficiência das estatais, que hoje fica escondido no balanço dos Correios. Isso valeria para todas as outras estatais.
Assim, todo brasileiro ficaria conhecendo quanto custava manter as estatais. Estará ali, transparente, nos gastos da “bolsa-ineficiência”. E Pontes e seus companheiros de ministério, tão ciosos dos “direitos dos trabalhadores”, não teriam do que reclamar.

Uma das grandes corridas tecnológicas da atualidade é a dos carros sem motorista. Já não é uma questão de “se”, mas de “quando” essa tecnologia será comercialmente viável. Muito provável que seja na próxima década.
Menos no Brasil.
No país que ainda não conseguiu dispensar a figura do cobrador de ônibus, dispensar o motorista deve ser coisa lá para o século XXIII.
O Lula vai dar entrevista para um jornalista ou para a Mônica Bergamo?
Imagine você se lideranças do MST e do MTST estivessem anunciando bloqueio de estradas para reivindicar qualquer coisa.
Bolsonaro, seus filhos, militares, lideranças do governo, redes sociais, todos juntos estariam, com razão, repudiando o movimento e prometendo o uso da força para coibir algo claramente ilegal.
Os caminhoneiros estão ameaçando bloquear estradas.
Então?