Depois do chefe do Executivo ter inventado a intervenção que não é intervenção e o chefe do Judiciário a censura que não é censura, mal posso esperar o que o chefe do Legislativo está nos preparando.
Quem é o autoritário?

E quem define o que é “ódio, intolerância e desinformação”? Quem é o “dono da verdade”, aquele que definirá o que pode e o que não pode ser dito? Quem será o censor-mor da República?
E Bolsonaro era o autoritário que ameaçava a democracia.
Definição de autoritarismo
Autoritarismo: sistema político em que sua casa pode ser alvo de busca e apreensão se você criticar uma autoridade.
Gerente de marketing
Toffoli deve ter sido contratado como gerente de marketing da Crusoé, só pode.
Tornozeleira eletrônica
A Petrobras está usando tornozeleira eletrônica.
O caminhoneiro quer frete
O governo anunciou ontem uma série de medidas que, em tese, atendem às reivindicações dos caminhoneiros. Hoje, matéria do Estadão descreve a reação dos caminhoneiros. Se eu pudesse resumir em uma frase, seria “o governo só pode estar de brincadeira”.
Em determinado momento, algum sindicalista diz: “há um excesso de 300 mil caminhões. O que o pessoal quer é frete”. Aqui está o ponto central do imbróglio.
O Brasil tem 12 milhões de desempregados. O caminhoneiro com seu caminhão não se considera um desempregado. Mas deveria. É o mesmo fenômeno: não há trabalho.
Pra que serve financiamento, tabela de frete, área de descanso etc, se não há frete?
Os caminhoneiros entenderam a série de medidas como uma cortina de fumaça para disfarçar a impotência do governo. Assim como o mercado financeiro entendeu como uma cortina de fumaça as declarações de “independência” da Petrobras, mas voltar o reajuste que é bom, nada.
Churchill, quando anunciou a guerra, não dourou a pílula nem lançou mão de cortinas de fumaça. Prometeu apenas “sangue, suor e lágrimas”.
Mas Churchill era um estadista, não um populista.
Pseudo-realismo maquiavélico
Será que quebrar a Petrobras e baixar as calças para os caminhoneiros para salvar a Previdência encaixa-se na definição de “pseudo-realismo maquiavélico” e “falsa esperteza pragmática”? ![]()

Atentado à Constituição
Um bom jornalista é isso: explica de modo que o leigo consiga entender.
Depois de ler esse artigo, pelo menos para mim ficou claro de que modo o STF se tornou uma corte de arbítrio.
Esquerda x Direita
Bloquear rodovia com pneu queimado é de esquerda.
Bloquear rodovia com caminhão é de direita.
Apego




O apego a estatais de nossos governantes é algo que chega a ser tocante.
O caso em tela é a Cedae, companhia de saneamento básico do RJ, a única empresa do Estado que ainda vale alguma coisa.
A questão colocada pelo governador é até cândida: por que vou vender uma empresa que dá lucro de R$1 bilhão por apenas R$3 bilhões? O seu Zé, dono da padaria da esquina, que sabe fazer negócio, certamente concordaria.
Se a coisa se desse nesses termos.
Ocorre que não se dá. Vejamos.
Em primeiro lugar, de onde o governador do RJ tirou a ideia que a Cedae será vendida por “R$3-4 bilhões”? Já foi feito o leilão? Onde estão os lances? Este pode até ser o preço mínimo (dado que a empresa foi dada em garantia de um empréstimo de R$2,9 bilhões da União para o Estado), mas daí a concluir que este será o preço de venda vai uma grande distância.
Em segundo lugar, vamos olhar mais de perto esse tal de “R$1 bilhão de lucro”. Os lucros líquidos da CEDAE nos últimos anos foram os seguintes (em milhões de reais):
- 2011: (188)
- 2012: 163
- 2013: 292
- 2014: 460
- 2015: 249
- 2016: 379
- 2017: 278
- 2018: 832
Observe como o lucro saltou de uma faixa de 200-400 milhões por ano entre 2012 e 2017 para mais de 800 milhões em 2018! Esse é o “R$1 bilhão” de lucro do governador.
Qual foi a mágica, mister M? Olhando a demonstração de resultados, observamos que este “ganho” de quase R$600 milhões entre 2017 e 2018 se deu pela redução de provisões: cerca de R$350 milhões em reduções para devedores duvidosos e contingências. A outra parte do ganho no lucro veio do aumento de receitas: mais de 7% em termos nominais, sem aumentar substancialmente o número de clientes. Ou seja, aumento do preço do serviço.
A não ser que se assuma que as provisões podem continuar sendo diminuídas no mesmo ritmo e novos aumentos do preço do serviço possam ocorrer acima da inflação, esse lucro claramente não é sustentável no tempo.
Óbvio que um acionista privado poderia elevar o lucro de maneira sustentável, eliminando o cabide empregos, aumentando a eficiência e investindo no aumento da rede. Desta forma, mesmo com níveis pífios de lucro, a empresa poderia atingir valor significativo de venda, desde que o Estado abrisse mão do controle.
Por fim, um terceiro ponto, que para mim é o principal. O índice de cobertura da rede de esgoto era de 38,9% em 2011 e foi de 36,8% em 2018 (dados dos balanços da empresa). Ou seja, depois de quase uma década, houve recuo no índice de cobertura do serviço de esgoto, que já é, em si, um patamar vergonhoso. A empresa não tem fôlego financeiro para atender a população em coisas básicas.
Vender a Cedae não é uma questão simplesmente financeira. Não é saber quanto ela vale, se o Estado do RJ vai perder ou ganhar dinheiro com isso. Vender a Cedae é uma questão ética, é dar oportunidade para que a população do RJ tenha serviço de esgoto em suas casas. Não consigo pensar em argumento melhor.
