Primeira página do capítulo IX da obra A Igreja das Catedrais e das Cruzadas, de Daniel-Rops.


Apenas um repositório de ideias aleatórias
Primeira página do capítulo IX da obra A Igreja das Catedrais e das Cruzadas, de Daniel-Rops.

Muitos não entendem porque a Petrobras precisa praticar preços internacionais, quando somos autossuficientes em petróleo e o nosso custo de extração é menor do que a média mundial.
Digamos que essas premissas sejam verdadeiras (autossuficiência e preços de extração menores). Mesmo assim, os preços praticados deveriam ser os internacionais. Vejamos.
Em primeiro lugar, não consumimos petróleo, mas sim, derivados de petróleo. E nossas refinarias não são capazes de produzir todo o diesel que consumimos. Sendo assim, precisamos importar diesel. Hoje, com um prejuízo de R$0,14 por litro, conforme a associação dos pequenos importadores. Esse prejuízo está sendo bancado pela Petrobras.
Ah, então seria o caso de construir capacidade de refino, para poder atender o mercado interno sem precisar recorrer a importações.
Só que não. Aqui entra o conceito de “commodity”. Digamos que o Brasil praticasse consistentemente preços de diesel abaixo da paridade internacional. Parece óbvio que tradings iriam se aproveitar dessa distorção, exportando diesel para o mercado global. O Brasil se tornaria o maior exportador de diesel do mundo, enquanto faltaria diesel para o mercado interno. Claro que se poderia proibir a exportação de diesel, mas aí estaríamos empilhando uma intervenção sobre a outra, aumentando a ineficiência do sistema.
A Venezuela fez isso durante anos. O estado lastimável da PDVSA, hoje, é fruto desse tipo de política. Um país que produzia 3,5 milhões de barris/dia, hoje produz menos de 1 milhão. Os venezuelanos também acham que “o petróleo é nosso”. Só que as maiores reservas de petróleo do mundo continuarão debaixo da terra enquanto não se respeitar regras básicas da teoria econômica. Queremos ser uma nova Venezuela?


“Maia tem 330 votos, Bolsonaro tem, no máximo, 100 votos”
“O governo não tem base, falta articulação política”.
“Quando ele criou as expressões “velha e nova política” ele criminalizou o parlamento, colocou todo mundo no mesmo saco”
“Ninguém vai votar com o governo porque Bolsonaro tem olhos azuis”
Quem disse as frases acima e as pérolas que vão abaixo?
a) o líder espiritual dos kombistas, Carlos Andreazza
b) a mocreia da Vera Magalhães
c) Rodrigo Maia, o líder da gangue
d) Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara
Macri é um excelente exemplo de como o inferno está cheio de gente com boas intenções.

Começou como um bom governo liberal, colocando a casa em ordem depois do desastre Kirshner.
Mas optou por fazer um “ajuste gradual”, porque as “condições políticas” não permitiam administrar um “remédio amargo”.
Assim, de meia-medida em meia-medida, acabou se encalacrando, e hoje tenta desesperadamente chegar vivo às eleições do final do ano.
Que sirva de exemplo para os nossos liberais tupiniquins, enquanto ainda há tempo de fazer a coisa certa.
Um gole de pinga pode ser apenas uma diversão ou uma tragédia. Depende da pessoa.
Para uma pessoa que sempre teve comportamento sóbrio, um gole de pinga é apenas uma diversão inofensiva. Para um ex-alcoólatra, é uma tragédia.
O Brasil é um ex-alcoólatra da intervenção. E não foi só o governo Dilma não. Getúlio Vargas era um grande intervencionista (leiam Lanterna na Popa, de Roberto Campos). Os generais eram intervencionistas. A Nova República de Sarney era o supra-sumo do intervencionismo. Dilma foi apenas a continuidade de uma tradição.
Paulo Guedes é o rehab da nossa última aventura intervencionista, que destruiu a economia brasileira.
Mas aí, Bolsonaro resolveu tomar um gole de pinga.
23:59: Sabemos que “articulação política” é um nome bonito para “roubalheira”. A velha política precisa entender que o “toma-lá-dá-cá” acabou, esse governo trabalha em outras bases. A reforma da Previdência foi enviada ao Congresso, agora os deputados devem votar pensando no Brasil.
00:00: Tudo faz parte da estratégia para aprovar a reforma da Previdência. Bolsonaro sabe o que está fazendo, ele é muito esperto.

Bolsonaro inventou a Intervenção de Schrödinger, aquela que é e não é ao mesmo tempo.
Margareth Thatcher enfrentou uma greve de 16 meses dos mineiros.
Mas para isso é preciso convicção.
Já disse aqui e vou repetir: não faz sentido uma empresa ser estatal e não servir para implementar políticas de governo.
Só faz sentido o Estado ser empresário se for para suprir “falhas do mercado”. “Falhas”, bem entendido, do ponto de vista das “necessidades do povo”.
Bolsonaro (assim como Dilma) está pensando no povo, ao determinar à Petrobras que volte atrás no aumento dos preços do diesel.
Há uma falha clara do mercado, que não entende que o transporte é um gênero de primeira necessidade. E, além disso, coloca em risco o humor daquela categoria de trabalhadores que pode tomar o povo como refém num piscar de faróis.
Se manter o preço do diesel mais baixo é uma política de governo, nada melhor do que uma estatal para implementa-la. Porque esse subsídio fica lá escondidinho no balanço da empresa, não afeta as contas nacionais. No final do dia, que se danem os credores e acionistas minoritários, que pagarão a conta. Ou não.
Os credores e acionistas minoritários exigirão prêmios cada vez mais altos para financiar “políticas de governo”. Isso se reflete no custo do crédito e nos preços das ações. No limite, não haverá mais quem empreste ou quem se disponha a ser sócio do governo. Quando chega neste ponto, resta ao governo cobrir o rombo do balanço da empresa com recursos orçamentários. Nesse momento, aqueles custos escondidinhos no balanço da empresa aparecem. E não é uma visão muito bonita.
Vivemos esse processo durante o governo Dilma. Muitos acham que o quebrou a Petrobras foi a roubalheira. Apesar de monstruosa, o prejuízo devido à corrupção foi troco de pinga perto do impacto causado pelos subsídios patrocinados pela empresa nos preços dos combustíveis, com o objetivo de controlar a inflação. Mas, como afirmei acima, a existência de estatais não se justifica se não for para isso mesmo: implementar políticas de governo. A ideia de ter estatais que funcionem segundo as “regras de mercado” é uma contradição em termos. A decisão de Bolsonaro ontem foi apenas a confirmação (mais uma vez) dessa tese.
A única solução viável para a Petrobras é a privatização.
Não consigo pensar em nada mais regressivo do que isentar o trabalhador formal da contribuição ao INSS e tributar o informal para pagar aposentadorias. Pois é justamente isso o que propõe Marcos Cintra, em seu projeto da nova-mas-chama-de-outra-coisa CPMF.

Na pratica é o seguinte: o trabalhador formal, que já se aposenta mais cedo e com um salário maior, vai ser subsidiado pelo informal, que se aposenta mais tarde e com um salário menor. Isso é o que significa “alargar a base de arrecadação”.
Cintra deveria conversar com o pessoal da Previdência (e com o próprio Guedes), que estão propondo o sistema de capitalização. Por este sistema, cada um é responsável pela sua própria aposentadoria. O que Cintra propõe é justamente o oposto: mais gente será responsável pela minha própria aposentadoria. E mais gente, em média, muito mais pobre.
Cintra deveria conversar também com o chamado “grupo do Leblon”, time de economistas, sob a coordenação de Paulo Guedes, que vem estudando medidas para destravar o mercado de capitais. Hoje, Cláudia Safatle publica coluna no próprio Valor Econômico sobre os projetos desse grupo.
Pois bem: a nova-mas-chama-de-outra-coisa CPMF vai na contramão desse esforço, jogando ainda mais areia na engrenagem do mercado de capitais.
Enfim, vamos ver até quando o governo vai insistir nesse balão de ensaio dos insensatos.