Um bom ministro

Muito bacana a história do ministro da infraestrutura, Tarcísio Freitas.

Foi chefe do DNIT (do DNIT!) na gestão Dilma Rousseff, liderou a PPI na gestão Temer e agora chefia um ministério-chave para o crescimento econômico brasileiro na gestão Bolsonaro.

Tarcísio Freitas é a prova acabada de que pode haver servidores públicos excelentes em qualquer governo.

A “nova” CPMF

Quando o tema “CPMF” apareceu na campanha de Bolsonaro, foi logo desmentido por Paulo Guedes, tal foi o barulho criado. Na época, antes do primeiro turno, Guedes argumentou que não se tratava de uma nova CPMF porque não seria um imposto adicional, mas um que substituiria todos os outros impostos. Ou seja, seria uma CPMF agigantada, com alíquota muito maior. Já entre o primeiro e o segundo turnos, Guedes afirmou que houvera uma grande mal entendido, que ele defendia a convergência de todos os impostos em um imposto único, não necessariamente sobre movimentações financeiras.

Eu mesmo critiquei aqui na época. Trata-se de um imposto que cria distorções nos mercados financeiro, de crédito e tem efeito cumulativo em toda a cadeia de produção. Não à toa, a União Europeia vem estudando a adoção de um imposto desse tipo há 10 anos, sem ter chegado a um desenho satisfatório.

Agora, o assunto volta, como a nos assombrar. Em boa hora a Câmara dos deputados acolheu o projeto de Bernardo Appy, alinhado com as melhores práticas internacionais. Não vamos reinventar a roda.

O mito da perda de audiência

Alguns mitos andam por aí como almas penadas.

Um deles diz que a “velha mídia” perdeu muita audiência depois do fenômeno Bolsonaro. As pessoas teriam caído na real sobre como as notícias são manipuladas (“fake news”) e estariam trocando a “velha mídia” pelas “redes sociais”.

Seria verdade se fosse verdade.

Segundo o IVC (Instituto Verificador de Circulação), o número de assinantes da Folha cresceu 2,73%, do Estadão 18,73% e do Globo 22,42%, de 2017 para 2018. Isso inclui assinaturas em papel (que caíram) com as digitais (que subiram muito). Já a Veja, essa sim, teve retração de 24% na circulação. Mas aí parece que tem a ver com concorrência: no mesmo período, a Época (que, na minha opinião, consegue ser pior que a Veja no quesito “esquerdismo”) teve crescimento de 84%. Em números, significa que a Veja perdeu cerca de 300 mil assinantes, enquanto a Época ganhou cerca de 225 mil assinantes. Ou seja, uma perda líquida de 75 mil assinantes, o que significa, para o conjunto das duas revistas, uma queda de 4,9%, o que não parece ser nenhum desastre.

Ver aqui: https://www.meioemensagem.com.br/…/circulacao-digital…

e aqui: https://www.meioemensagem.com.br/…/revistas-semanais…

E antes que coloquem em dúvida a seriedade do IVC, é com base em sua auditoria que os veículos cobram por seus anúncios. Portanto, é coisa séria, com dinheiro não se brinca.

Também acho a imprensa, de maneira geral, de um nível muito fraco, quando não tendenciosa, principalmente quando se trata da agenda de costumes. Se procurarem, certamente verão vários posts aqui criticando a cobertura da mídia em vários aspectos. Mas é preciso criticar com base em fatos, não em mitos. E a perda de audiência, pelo menos nesses casos levantados, é mito.

A discussão dos “pardais” nos devidos termos

Se o motorista “se distrai” e passa por um pardal acima da velocidade permitida, não há outra conclusão possível: o sujeito estava dirigindo acima da velocidade permitida e, o que é pior, estava distraído.

Muitos fazem isso: dirigem a uma velocidade que acham “razoável” e, quando avistam um radar (ou são avisados pelo Waze), diminuem a velocidade. Mas, de vez em quando, “se distraem” e, pá!, são multados.

A discussão, parece-me, está desfocada.

Bolsonaro deveria ter proposto a abolição pura e simples da velocidade máxima nas vias. Porque eliminar os radares significa, na prática, eliminar a velocidade máxima. A definição de uma velocidade segura ficaria a cargo, então, de cada motorista. Cada um dirigiria a uma velocidade que achasse “razoável”.

Claro, colocar a discussão nesses termos não é nada simpático.

O ponto é que a discussão está se dando sobre a “injustiça” dos radares, mas o radar é apenas uma consequência necessária da definição de uma velocidade máxima.

Estabelecer uma velocidade máxima sem radar é inócuo: aqueles que já respeitam a velocidade máxima continuarão respeitando; aqueles que só respeitam por causa do radar, passarão a não respeitar. Seria como eliminar a polícia: para os honestos, tanto faz. Para os desonestos, é uma carta de alforria.

Bolsonaro deveria admitir que é contra uma velocidade máxima nas vias. Colocaria o debate nos seus devidos termos.

Cadastro positivo: uma boa notícia

O cadastro positivo é excelente notícia, daquelas que mudam estruturalmente a economia. O custo do crédito para bons pagadores deve diminuir ao longo do tempo, com o sistema separando o joio do trigo. E, não menos importante, rompendo o monopólio dos grandes bancos sobre o histórico de crédito de seus clientes, o que lhes fazia ter uma enorme vantagem competitiva.

Essa lei foi primeiramente editada por Dilma Rousseff em 2011, mas com uma falha grave: era um sistema opt-in, ou seja, o consumidor precisaria optar por fazer parte. Obviamente, pouquíssimos se mexeram na cadeira.

O governo Temer aperfeiçoou a lei, tornando-a opt-out. Ou seja, quem não quiser fazer parte, deverá se mover. Mas, ao não fazer parte, provavelmente terá dificuldade, dentro de pouco tempo, em obter crédito na praça.

E coube a Bolsonaro finalmente sancionar a lei.

Este é um exemplo acabado de como aperfeiçoamentos institucionais podem ser patrocinados por governos de diferentes cores, se todos olharem para o bem comum.

Fake news or not fake news: that’s the question

São mais de R$ 8 milhões/ano gastos em altíssimos salários para apadrinhados de políticos, em um órgão que produz virtualmente zero para a população de São Paulo.

Sim, estou furioso, e poderia parar por aqui.

Mas aí me ocorreu: o Estadão, onde a denúncia foi publicada hoje, é um jornal que publica “fake news”. Pelo menos, foi isso que aprendi no episódio da jornalista que queria “destruir” o governo Bolsonaro. Toda aquela história do Queiroz, por exemplo, foi tudo perseguição, pelo que pude ler aqui no FB.

Então, esse caso da Assembleia certamente tem muito de exagero ou má fé do jornal, certeza.

Ou não, dado que se trata da “velha politica”, que só faz coisa ruim.

Estou confuso.

A revolução da classe média

No dia 07/04/1959, a Newsweek publicou matéria sobre Fidel Castro, às vésperas de sua visita aos EUA. Um resumo da matéria foi publicado na 1a página do Estadão do dia seguinte.

A revista apresentava Fidel como um sujeito “honrado”, de “boas intenções”, que havia liderado uma “revolução da classe média”. No entanto, os comunistas, liderados por Che Guevara, já estavam tomando conta da situação.

O resto é História.

Desafio para a Empírucus

Recebi um daqueles e-mails longos da Empiricus. Normalmente eu apago sem ler, mas desta vez, não sei porque, me bateu uma curiosidade.

Tratava-se de um desafio: eu só poderia criticar o Felipe Miranda e a Empiricus se mostrasse uma carteira com rendimento maior que aquela que supostamente a Empiricus roda há mais de 4 anos.

E com “baixo risco”.

Bem, eu também tenho um desafio para o Felipe Miranda e para a Empiricus: abra um fundo de investimento com cota auditada, e implemente essa estratégia. Garanto que, se realmente funcionar, vão ganhar muito mais dinheiro do que vendendo assinatura de newsletter.

#ficadica