A Netflix deu fim à série “One Day At a Time” (muito prazer). Segundo o crítico do NYT, uma série “inteligente, divertida, com representatividade de minorias”. Só tinha um problema: os telespectadores parecem não concordar com o crítico do NYT, e deixaram a série com traço de audiência.
O crítico do NYT não se conforma com a forma com que a Netflix acabou com a série: eximindo-se de culpa. Afinal, TV é um negócio e precisa dar lucro, reconhece o crítico. Mas melhor teria sido, segundo o crítico, a Netflix bancar uma série deficitária como um investimento “de longo prazo” no relacionamento com seus clientes.
Não ocorre ao crítico que o “culpado” pela descontinuação da série não foi a Netflix, de fato. Foi, sim, a falta de pessoas dispostas a assistir a tal série. Também não lhe ocorre que, investindo em séries que ninguém vê, a Netflix colocaria em risco as séries que são vistas. Isso sim, poderia colocar em risco o relacionamento de longo prazo com seus clientes, ao ameaçar a própria existência da empresa.
Séries “lacradoras” podem agradar os críticos e uma “legião” de meia dúzia de fãs bem-pensantes, mas não sustentam um business de massa. As pessoas chegam em casa e querem se divertir. Só isso.
R$ 52,6 mil por mês. Esse foi o gasto de Dilma Roussef em sua função de “ex-presidente da República”. O que faz um “ex-presidente da República”, além de encher o saco nas redes sociais e falar mal do Brasil no exterior? Precisa inventar bastante coisa pra gastar mais de R$ 50 mil por mês. Ah, ok, houve as despesas com a campanha eleitoral, em que a ex concluiu a façanha de chegar em 4o lugar na disputa pelo Senado.
Lula só não está em segundo lugar na lista porque foi preso em abril. Portanto, Lula gastou algo como R$ 40 mil/mês.
Entende-se agora o que significa um Estado grande e forte na cabeça dos petistas.
Baixei um aplicativo que promete me indicar filmes com alta probabilidade de me agradar. Chama-se Alfred.
Estou fazendo o cadastro, e me deparo com a pergunta sobre gênero. As possibilidades estão aí embaixo.
Foi a primeira vez que me deparei com uma lista completa de gêneros. Quer dizer, completa não, porque tem ainda a opção “outro”.
Não consegui identificar a diferença entre “Trans Homem” e “Homem Transexual”, ou entre “Gênero Variante” e “Gênero Fluido”. Mas certamente deve haver uma definição muito clara, que não deixa margem a dúvidas na hora de cravar a alternativa. Ou deixa, e isso faz parte do jogo.
Também não consegui alcançar o que viriam a significar “Neutrois”, “Genderqueer” ou “Gênero Não-Conformista”. Mas é que eu sou um puta ignorante nessas coisas, reconheço.
Qual o objetivo de uma lista dessas? A pergunta sobre gênero em um aplicativo desse tipo só pode ter o objetivo de tentar adequar as sugestões de filme com o gênero. Então, é necessário que haja alguma significância estatística: x% dos homens gostam de filmes assim e assim, y% das mulheres gostam de filmes assim e assim, etc. Pergunto: qual a chance de gêneros como “duplo-espírito” ou “neutrois” ter alguma relevância estatística?
Então, o objetivo só pode ser “lacrar”. Colocar como alternativa “outro” (o que já se tornou comum) já não é suficiente. Precisa ter uma lista de tudo, de modo a mostrar que o aplicativo está “antenado” com a modernidade.
Eu, como sou um brucutu pré-diluviano, desinstalei o aplicativo.
Durante a campanha eleitoral, fiz muitas amizades bolsonaristas aqui no FB. Apesar de eu mesmo não ser um eleitor de Bolsonaro, o que nos unia era a consciência de que o PT era a pior desgraça que havia acontecido ao Brasil nas últimas duas décadas, causada principalmente pela pusilanimidade do PSDB. Muitas vezes concordamos, muitas vezes discordamos, mas sempre de maneira civilizada.
Até que um dia apareceu um sujeito que parecia pensar estar em um ringue de MMA. Depois de alguns comentários violentos em alguns posts, avisou-me que iria me citar lá na página dele, e me “desafiava” a ir “debater” lá.
De fato, fui citado em um post cheio de ofensas pessoais, pinceladas aqui e ali com argumentos. Procurei educadamente responder aos argumentos, relevando as ofensas, mas sua tréplica ad hominem me convenceu de que eu estava perdendo meu tempo. Simplesmente bloqueei o sujeito e vida que segue.
Foi o único caso durante toda a campanha eleitoral, o que me diz que o número de bolsonaristas radicais não é grande. Mas faz barulho e é infenso a argumentos. O que importa é a luta política, no que são idênticos aos petistas radicais.
Bolsonaro não é Jesus Cristo e Olavo de Carvalho não é o chefe dos apóstolos. São seres humanos falíveis e sujeitos a críticas. A desculpa de que uma crítica a Bolsonaro fortalece o PT ou os “bandidos” não é válida. O que fortalecerá o PT será justamente a falta de autocritica dos bolsonaristas, a mesma autocritica que faltou ao PT e que afastou a classe média moderada do partido e deu espaço para o surgimento de um Bolsonaro.
Esse é um aviso de um observador da cena política brasileira: se os discípulos de Olavo de Carvalho continuarem nessa toada, o governo Bolsonaro se isolará em uma ilha com poucos fanáticos da causa, e os amigos lhe faltarão na hora que mais precisar. E essa hora sempre chega.
O adesivo na testa desses jovens é provavelmente feito de algum derivado do petróleo.
A tinta nas mãos desses jovens provavelmente é fabricada em algum processo industrial poluente. E a caneta que continha essa tinta é de plástico.
As roupas usadas por esses jovens na certa foram fabricadas em alguma fábrica poluente da China ou Vietnã.
Depois da manifestação, muitos desses jovens foram para casa nos carros movidos a petróleo de seus pais.
E tomaram um banho quentinho, com água aquecida com gás ou com eletricidade gerada por usinas termoelétricas movidas a petróleo.
Depois do banho, foram postar as fotos deste grande dia no Instagram, em seus iPhones feitos de plástico e com baterias que ainda estarão na Terra muito depois do desaparecimento da raça humana.
As indústrias poluentes somente sobrevivem porque há compradores para seus produtos.
Eu só vou acreditar na sinceridade desse tipo de movimento quando seus protagonistas forem morar no mato, sem qualquer benesse da civilização tecnológica.
Cauê Macris (PSDB) deu uma surra em Janaína Paschoal, a deputada dos 2 milhões de votos: 70 x 16.
Enquanto Janaína conversava com seus eleitores no Twitter, Cauê conversava com seus colegas deputados. Fez aliança com todo mundo, inclusive com o PT, e massacrou sua adversária.
– Ain, mas foi uma aliança de bandidos, que não estão nem aí para o povo!
Pois é, esses bandidos foram tão eleitos quanto Janaína. Estão na Assembleia porque lá foram colocados pelo voto popular.
Admiro Janaína Paschoal, acho que ela tem uma grande contribuição a fazer para o debate político e para a população de São Paulo. Mas, para isso, precisa fazer política.
A deputada mais votada da história do Brasil não conseguiu se eleger presidente da Assembleia Legislativa. Não adianta dizer que isso diz muito sobre a Assembleia que temos. As coisas são como são, e Janaína será apenas um voto vencido se não começar a conversar com seus pares. Triste fim para os seus 2 milhões de eleitores.
O mesmo alerta serve para boa parte da bancada do PSL. Precisa começar a fazer política. Caso contrário, serão deputados de rede social sem real influência sobre as votações do Congresso.
João Sayad nos presenteia com um inacreditável artigo no Valor de hoje. Sayad propõe o pagamento de todos os direitos adquiridos dos contribuintes e aposentados do sistema previdenciário oficial com a emissão de dívida pública. Ele não entra no mérito do custo dessa política, coisa meio desagradável, mas não vamos deixá-lo na mão.
Em primeiro lugar, qual seria o tamanho desse passivo? Como calculá-lo? Imagine a briga política para definir isso. Mas o principal é o tamanho da coisa.
O ministério da Fazenda calculou o passivo atuarial somente do setor público, que totalizaria algo como R$6,5 trilhões. Esta seria a “dívida” do sistema previdenciário caso se pagassem todas os direitos futuros dos pensionistas. E isso só no setor público!
Digamos, de maneira muito conservadora, que este fosse o tamanho total do cheque que o Tesouro precisasse assinar para liquidar o sistema. A dívida cresceria para mais de 200% do PIB! Hoje gastamos cerca de 5,5% do PIB com juros, ou a bagatela de quase R$ 400 bi/ano. Só para dar uma ideia, tudo o que o governo gasta com educação e saúde não passa de R$200 bi por ano. Se a dívida fosse a 200% do PIB, este gasto subiria para R$ 1 tri/ano, ou quase 15% do PIB! Isso por baixo, porque, com uma dívida dessa magnitude, as taxas de juros certamente subiriam.
Sayad reconhece que a dívida pública se elevaria abruptamente, mas afirma que pararia de subir a partir de então. Para isso ser verdade, seria preciso gerar um superávit primário da ordem de 15% do PIB só para pagar os juros! Já suamos sangue para gerar 3% de superávit primário, imagine 15%!
Mas Sayad tem a solução! Basta estabelecer a taxa de juros abaixo da taxa de crescimento da economia, como propôs André Lara Rezende em artigo recente. Puxa, como não pensamos nisso antes! Inclusive, com taxa de juros zero, a despesa com juros também seria zero! Só falta combinar com os russos que financiam a dívida.
Mas a insanidade não para por aí. Sayad propõe jogar R$ 600 bilhões/ano de helicóptero, distribuindo “renda” entre todos os brasileiros. Como não teríamos mais um sistema contributivo, esse dinheiro só poderia vir ou de aumento de dívida ou de algum tipo de contribuição que substituísse a contribuição previdenciária. Ou seja, para eliminar o sistema contributivo, seria preciso criar uma nova contribuição. Ou aumentar a dívida ainda mais. Mas, com a taxa de juros zero, isso não seria problema.
João Sayad era ministro do planejamento do governo Sarney, e foi um dos mentores intelectuais do Plano Cruzado, o primeiro plano heterodoxo para tentar acabar com a inflação, em 1986. Até hoje acho que ele não entendeu porque o plano não funcionou.
A “especialista em educação” da Unicamp crítica as escolas “conteudísticas” e pede que sejam “formadoras de cidadãos” para evitar novas tragédias.
Fala como se estivéssemos na Coreia do Sul, com notas altíssimas no Pisa, e não no reino de Paulo Freire, onde a “cidadania” é a única coisa ensinada com eficiência nas escolas.