Quem é o “ele” no #elenão?

Estou chegando agora. Quem é o “ele” no #EleNão?

PS.: eu sei que é o Bolsonaro. Só gostaria de entender por que a hashtag não é #BolsonaroNão. Esse “ele” parece colocar o sujeito em um patamar superior a todos os outros. Basta se referir a “ele”, que todos sabem que “ele” é o Bolsonaro. Como o chefão que todos temem, e ninguém se atreve a sequer citar o nome. Ou, como em Harry Potter, o mal que não se podia nominar, no caso, Voldmort.

Ao destacar Bolsonaro dessa maneira, um simples candidato é alçado à categoria de semi-divindade. Ou se adora, ou se odeia, não há meio-termo.

Enfim, uma bobagem.

Para mim, o “ele” é Haddad, o “ele” é Lula. Mas eu prefiro tratá-los como seres humanos que são: #HaddadNão, #LulaNão, #PTdenovoNão.

Muito preocupado

De minha parte, estou muito mais preocupado com um país governado de dentro de um presídio.

Nesta hora, a “paranoia” parece estar mais do lado de quem teme um golpe militar.

Aliás, se tem uma coisa que a história mostra, é que os golpes servem para tirar opositores do poder. Nesse sentido, a eleição do PT tornaria a tese de um golpe militar mais verossímil.

O único que aplicou um “auto-golpe” foi Getúlio Vargas, em 1937. Sim, Getúlio, o queridinho do Lula e das esquerdas.

Segure sua carteira

Estes são trechos de uma entrevista do presidente do IEDI, o think tank do setor industrial.

Começa por reclamar da falta de atenção dos candidatos à “questão industrial”.

O repórter, querendo explorar um pouco a tal da “questão industrial”, pergunta quais seriam as condições para a volta do investimento no setor.

O presidente do IEDI elenca 3 fatores: diminuição da ociosidade da indústria, aumento da demanda e condições macroeconômicas favoráveis.

Bem, as duas primeiras estão correlacionadas: a capacidade ociosa só irá diminuir quando a demanda reaquecer. A isso chamamos de crescimento econômico, foco de todos os candidatos. Já com relação às tais “condições macroeconômicas favoráveis”, ele só pode estar se referindo ao câmbio, uma vez que a taxa de juros é a menor da história. Será que o dólar a R$4,20 finalmente vai funcionar para a indústria?

Mas daí, cutucando um pouco mais, vem a verdadeira agenda da indústria: subsídios. Desde que seja para “inovação”, claro. O Brasil registrou pouco mais de 4 mil patentes em 2016. Na China foram 400 mil. Cem vezes mais. Países muito menores e sem tradição de inovação tecnológica, como Austrália e Canadá, registraram mais de 20 mil patentes cada.

Isso porque o BNDES atingiu 10% do PIB em empréstimos, incluindo programas de inovação. Sem contar subsídios diretos, como o falecido Inovar-Auto. Quanto mais seria necessário?

Por isso, eu sempre digo: quando entidades empresariais vão à Brasília, segure bem a sua carteira.

Perderam o senso de proporção

Eleições são boas porque, pelo menos de 4 em 4 anos, ficamos sabendo quanto custa a máquina pública.

Por exemplo, você sabia que os contribuintes gastamos R$430 mil por mês só para pagar água, luz, manutenção das piscinas e alimentação das emas do Palácio do Alvorada?

430 mil POR MÊS!!!

Vamos lembrar que o Museu Nacional estava condenado a sobreviver com uma verba de R$500 mil/A-N-O.

Uma unidade residencial de classe média alta vai pagar, chutando alto, uns mil reais/mês de utilities (água, etc). Contrate jardineiro e piscineiro, vai gastar quanto mais? 10 mil, chutando bem alto? Sobram as emas. Haja ema!

O problema, claro, está na folha de pagamento. Quanto você acha que ganham o cozinheiro, o piscineiro, o jardineiro, o mordomo, os faxineiros, etc e etc, todos concursados?

R$ 20 milhões/ano para manter o presidente confortável em sua casa. Esse pessoal perdeu o senso de proporção.

Autocrítica

“A autocrítica do PSDB é muito importante e constrói possibilidade de diálogo depois das eleições”.

Esta frase é do inefável Fernando Haddad. E a autocrítica do PSDB a que ele se refere foi feita pelo não menos inefável Tasso Jereissati.

E o que disse Jereissati? Disse que o PSDB “sabotou” o governo Dilma, votando contra o ajuste fiscal que o partido sempre defendeu.

Então, ficamos assim:

1) O PT sabotou o governo FHC tanto quanto pôde. Mas isto não merece uma autocrítica do partido, porque votar contra o ajuste fiscal sempre foi o programa do PT.

2) Quando o PSDB votou na linha que o PT adotou desde sempre, foi acusado de “sabotar” o governo do próprio PT.

3) O presidente do PSDB concorda com essa “leitura”. Acha que o partido deveria apoiar o governo do PT na agenda da responsabilidade fiscal, mesmo que o próprio PT não o apoiasse.

O PT tem duas narrativas, que usa conforme suas conveniências. A primeira é que a crise começou com a tentativa de Joaquim Levy de fazer um ajuste fiscal. A segunda é que a crise começou com a sabotagem da oposição, que impediu o governo Dilma de fazer um ajuste fiscal. Jereissati concorda com essa segunda narrativa.

Claro que a possibilidade de diálogo a que Haddad se refere existirá se, e somente se, o PT voltar ao poder. Neste caso, o partido gostaria de ter o PSDB a seu lado para fazer o “trabalho sujo” do ajuste fiscal. Poderia, assim, ter os tucanos como sócios da maldade.

Se o PSDB ganhar as eleições, essa “possibilidade de diálogo” obviamente desaparece. O PT na oposição será o de sempre: votará contra os interesses do país, pensando nas próximas eleições.

No PT, não tem essa boiolice de “autocrítica”.

A mensagem da cama do hospital

Jair Bolsonaro acaba de fazer uma “live” da cama do hospital.

Foram 20 minutos aproximadamente. 5 minutos dedicados a agradecimentos. Os outros 15, ao assunto principal da “live”.

E qual foi este assunto principal? O que você falaria se fosse o candidato líder das pesquisas, e virtualmente classificado para o 2o turno? Qual seria o seu posicionamento tático, desde a cama de um hospital, recuperando-se de um atentado?

Fiz este exercício antes de assistir. O que eu falaria neste momento único? Acho que adotaria um tom mais emotivo, de união de todos os brasileiros em torno dos desafios à frente. Procuraria falar como um estadista, pronto para assumir a Presidência. Começaria, enfim, a jogar o jogo do 2o turno.

Mas Bolsonaro resolveu usar os 15 minutos mais importantes de sua campanha no 1o turno denunciando a possibilidade de fraude nas eleições, em função das alegadas vulnerabilidades das urnas eletrônicas.

Se ele tomou essa decisão, é porque ele acha esse assunto o mais importante de sua campanha neste momento. Ele avalia que, em eleições limpas, ele já ganhou. Por isso, sua campanha, agora, é apenas para que as eleições sejam limpas.

No entanto, as urnas eletrônicas são o que são. Uma vez que não haverá o voto impresso, o que, em tese, permitiria uma auditoria independente, não existe campanha que as “limpe” mais do que elas são limpas hoje. Portanto, estes 15 minutos só serviram, de fato, para contestar a legitimidade das eleições.

É o equivalente ao que o PT vem fazendo, dizendo que “eleição, sem Lula, é fraude”.

Qualquer que seja o resultado, está se armando uma grave crise institucional. Os mais pessimistas dirão que a crise já está instalada, e estamos anestesiados pela “festa” eleitoral. Passada a festa, virá a ressaca da ilegitimidade do próximo eleito.

A tempestade está se formando, não se dissipando.

Certos devem estar os gênios do PSDB

Claro que esta análise está completamente errada. Certos devem estar os gênios políticos do PSDB. As pesquisas mostram isso. (da página de Gabriel Rostey)


Até hoje vi poucas coisas mais erradas do que esta campanha do Alckmin em 2018.

Depois da grande conquista do “Centrão”, que garantiu ao candidato quase metade do tempo de TV, em paralelo ao isolamento que o PT impôs a Ciro, o ex-governador de São Paulo estava em excelentes condições para decolar.

Mas, com o início da campanha, qual foi a tática adotada? Bater unicamente em Bolsonaro, sem dó, para isso usando uma pauta tradicionalmente “de esquerda” (machismo/misoginia), lançando mão de um vídeo editado de maneira absolutamente parcial para fazer da petista Maria do Rosário (reconhecida como “Maria do Presidiário” por boa parte do eleitorado simpático a Alckmin, em função de seus exageros na proteção a criminosos) uma mera vítima do “Bolsonazi”.

Ok, consigo entender que o raciocínio fosse o de bater no Bolsonaro para ver se ele, que vinha tomando grande parte do eleitorado tradicional do PSDB, desidratava e transferia votos naturalmente para Alckmin. Mas não consigo entender que tenha atacado só o Bolsonaro – com o agravante que a disputa do tucano nunca foi diretamente contra o capitão do exército, e sim com Ciro, Marina e Haddad, que passaram toda essa fase sem ataques diretos. Afinal, para que servia tanto tempo de TV?

Porém, ainda pior do que atacar um adversário indireto e poupar os diretos, o pecado capital da campanha foi a falha de posicionamento. Ao bater sem dó no candidato mais associado ao “anti-petismo” e deixar livres, leves e soltos os concorrentes associados à “esquerda”, Alckmin passou mais uma vez a sensação de ficar em cima do muro e não marcar posição. Foi quase como vestir novamente a jaquetinha da Petrobrás para negar qualquer intenção de privatizá-la, como fez em 2006, pautando-se pelos adversários. Ter utilizado um tema sensível à esquerda, corroborando o vitimismo de Maria do Rosário, é só um agravante e mais.

Não bastasse isso, oportunisticamente Alckmin chamou Temer de “ilegítimo”, fortalecendo assim a “tese do Golpe”, defendida pela esquerda e combatida pela maior parte do país (justamente a que admite votar no PSDB, aliás).

Então veio o atentado a Bolsonaro e Alckmin teve que parar os ataques. Ciro cresceu, Haddad foi lançado oficialmente como candidato, Marina despencou e está bem claro quais são seus adversários.

Bolsonaro vem em crescimento constante e as pesquisas apontam que tem os eleitores mais convictos. Alckmin e Marina resolveram investir na “questão de gênero” contra o candidato do PSL, e o resultado é que ele se tornou o líder entre as mulheres, chegando à votação de Alckmin e Marina somados. Mesmo assim, vi a repórter Andréia Sadi dizer que o PSDB voltará à carga com as inserções para classificar Bolsonaro como machista e misógino. Ou seja, como Dilma, dobrará a aposta.

Entrementes, Tasso Jereissati, ex-presidente do PSDB, deu uma entrevista elencando uma série de “erros” do partido, quase todos se arrependendo da oposição ao PT/apoio ao sucessor do PT. Como resultado, sua entrevista serviu de munição a Fernando Haddad na entrevista para o Jornal Nacional.

Depois de tudo isso, ainda vejo gente perguntando o porquê de Bolsonaro, e não Alckmin, capturar o voto anti-PT.

Entendo que Alckmin ainda tem tempo para mudar essa história. Há uma grande reserva de “votos úteis potenciais” ao tucano que hoje vão para João Amoêdo, Henrique Meirelles e Álvaro Dias. Eleitores de Marina também podem migrar para Alckmin, se ele demonstrar condições de ir para o segundo turno. Apesar de tantos ataques, até mesmo eleitores de Bolsonaro, caso notem a impossibilidade de vitória do “Mito” no primeiro turno, e a viabilidade de Alckmin superar Haddad e Ciro no primeiro turno, podem realizar voto útil no Geraldo.

Para isso é importante não queimar a ponte com a “direita”. Bolsonaro já está no segundo turno, jamais deve ser o alvo preferencial de Alckmin agora. É fundamental voltar a marcar posição anti-PT e, principalmente, ocupar a posição de “centro”, empurrando Ciro para a esquerda. O candidato do PDT, esperto que é, certamente tentará posar como a “única alternativa democrática ao extremismo de Bolsonaro e Haddad”. Para isso, está em condições muito melhores do que as de Geraldo, afinal, está à frente nas pesquisas e é ele quem bate todos os concorrentes no segundo turno. No momento, é ele o maior adversário tático de Alckmin.

Portanto, é fundamental mostrar que Ciro não tem nada de “alternativa democrática”. Alckmin tem tempo suficiente para mostrar como Ciro apoia a Ditadura Venezuelana; como disse que “receberia a turma de Moro à bala”; como foi racista ao chamar Fernando Holiday de “capitãozinho do mato”; como deu declarações ofensivas a homosexuais, sobre João Doria; como foi machista ao falar sobre Patrícia Pilar; como é populista e irresponsável em sua proposta do SPC; como mente compulsivamente negando o que já disse; como coleciona inimigos e desafia instituições; como não tem postura nem respeito ao dizer que “Lula é um merda” etc.

Caso contrário, estou seguro de que o que restará a Alckmin e seus eleitores é seguir reclamando do que classificam como “irresponsabilidade” de Amoêdo, Meirelles, Dias, e seus eleitores, por, supostamente, “colocarem em risco o futuro do país em vez de votarem no Geraldo”, como se tucanos fossem investidos de uma majestade eleitoral que impusesse reverência automática de seus adversários, tendo ou não votos para isso. Do alto de suas autoridades, não se apercebem de que cobram essa “adesão patriótica” enquanto estão em vias de se tornarem o “impertinente nanico que atrapalha a vitória de Bolsonaro no primeiro turno e permitirá que o país caia nas trevas do PT no segundo turno” para grande parte do eleitorado.

Enfim, talvez seja cobrar muita lógica de quem tem se dedicado a “desconstruir” o candidato já garantido no segundo turno, sob a alegação de que ele perderá para o segundo colocado -que está longe de estar garantido no segundo turno- atuando assim para que sua “ameaça” torne-se verdadeira, em vez de partir para o confronto direto, enfraquecer o segundo colocado e assim se credenciar ao segundo turno. Algo na linha “deixe de votar no candidato já garantido no segundo turno, para votar no que não deve ir, senão o que estamos ajudando a ir vai acabar ganhando”, numa espécie de profecia auto-realizável…

A verdadeira ameaça para a democracia

Esta é a reportagem de capa do Estadão hoje. Não precisa nem de pesquisa, todo mundo sabe disso: Bolsonaro avançou na antiga seara anti-petista do PSDB. A questão é: por que?

A entrevista com Pérsio Árida, assessor econômico de Alckmin, na mesma edição, dá a dica: perguntado qual seria o candidato que representaria “o maior risco ao país”, Arida aponta Bolsonaro como um “risco à democracia”.

Note que a questão não era sobre “risco à democracia”, mas “risco ao país”. Arida poderia ter citado Bolsonaro dentro de uma tática eleitoral, na medida em que é de onde poderiam vir os eventuais votos para colocar Alckmin no 2o turno. A justificativa (dado que era “risco ao país”) teria que ser algo do tipo “Bolsonaro não conseguirá aprovar as reformas necessárias e entraremos em uma espiral a la Venezuela”.

Mas não. Arida trocou a pergunta, e cravou Bolsonaro como o maior “risco à democracia”. Para tanto, desenterrou os gritos de tortura provocados pelo general Ustra, há quase 50 anos, quando o mundo e o país eram completamente outros. Com direito, inclusive, a um “reductio ad Hitlerorum”, lembrando do Holocausto.

O jornalista deu uma colher de chá, pois poderia ter terminado a entrevista ali. Aproveitando a nova pergunta criada pelo entrevistado, questionou se Bolsonaro era, então, “o maior risco”. Acho que nem o jornalista acreditou que o PT iria ficar de fora daquela resposta.

Arida, então, desfia tudo o que Lula e o PT vêm fazendo com as instituições brasileiras nos últimos anos. Não 50 atrás, mas nos últimos 16 anos, e continua fazendo até hoje. E concede que o PT e Lula também são um risco.

Como PSDB da gema, o reflexo de Arida foi responder que um fanfarrão que cita Ustra na votação do impeachment é um elemento mais pernicioso para as instituições democráticas do que um partido que, dia e noite, chama todo o Congresso de golpista, faz pouco caso da Justiça, orquestrou a maior pilhagem da história republicana e que quer controlar a mídia.

Depois, os “estrategistas” do PSDB se perguntam porque Alckmin virou um nanico.