Novos Partidos

É curioso como o TSE, que defende a segurança do voto eletrônico nas eleições, descarte um sistema eletrônico de assinaturas para reconhecer um novo partido.

Igualmente curioso é Bolsonaro, que não perde oportunidade de criticar a segurança da urna eletrônica, propor que se aceitem assinaturas eletrônicas para criar o seu partido.

O que não é nada curioso nessa história é o TSE vetar assinaturas eletrônicas com o objetivo de dificultar o processo de criação de novos partidos. Ora, ao TSE não cabe julgar se existem partidos demais e, muito menos, dificultar a criação de novos partidos. O excesso de partidos é um problema do legislativo, que já foi endereçado com a cláusula de barreira e a proibição de coligações em eleições proporcionais.

Se existem comprovadamente 500 mil eleitores que querem a criação de um novo partido, o TSE não tem nada a ver com isso. Não cabe ao TSE, interpondo barreiras burocráticas, barrar a vontade de 500 mil eleitores que, segundo a lei, têm o direito de criar um novo partido.

O mandato dual do BC

A autonomia legal do BC é um objeto de desejo do mercado financeiro. Há estudos que afirmam que a taxa de juros poderia ser mais baixa de maneira estrutural, dada a garantia de que o BC atuaria de maneira verdadeiramente independente.

Só tenho uma coisa a dizer: cuidado com seus desejos.

Se as ideias do líder do MDB ano Senado “pegarem”, sentiremos saudades do nosso BC apenas informalmente independente.

Eduardo Braga é só porta-voz de um erro muito comum, e que engana grande parte dos brasileiros: a confusão entre o curto e o longo prazos.

No curto prazo, é verdade que a taxa de juros influencia tanto a inflação quanto o crescimento econômico. Taxas mais baixas fazem a inflação e o crescimento subirem, e vice-versa. O problema está no longo prazo.

No longo prazo, uma inflação persistentemente mais alta desorganiza a economia, fazendo com que o crescimento econômico se reduza. Trata-se de um jogo perde-perde. Por isso, os BCs do mundo inteiro olham a inflação, não a atividade. Eles sabem que, descuidando da inflação no curto prazo, estarão condenando o crescimento no longo prazo.

Ocorre que o mundo desenvolvido está enfrentando agora o problema oposto: inflação muito baixa. Por isso, estão tentando desesperadamente dar incentivos para elevar a inflação. Não é, nem de longe, o nosso problema.

Não é verdade que os BCs dos países desenvolvidos olhem para a inflação e o crescimento. Mesmo nos EUA, onde o mandato é dual e não existe meta de inflação, o BC age para manter a inflação sob controle. Em 1980, depois do 2o choque do petróleo, a inflação nos EUA subiu para 12%. O então presidente do Fed, Paul Volcker, não teve dúvida: elevou os juros até 20% para derrubar a inflação, levando os EUA e o resto do mundo para uma recessão. Ou seja, quando a porca torce o rabo, é o controle da inflação que manda.

Dar um mandato dual para o BC é transferir uma tarefa que o BC não tem instrumentos para cumprir. Preservar o poder de compra da moeda através de metas para a inflação e o controle de oferta de moeda está plenamente dentro do escopo do BC. Por outro lado, fazer o país crescer vai muito além de manter “as taxas de juros baixas”. Exige uma série de ações para aumentar a produtividade do país e que estão fora do campo de decisões do BC. Transferir para a política monetária a tarefa de fazer a economia crescer é um “me engana que eu gosto”.

Um BC independente com mandato dual é muito pior do que o atual BC com autonomia operacional. Em se tratando de Brasil, não me espantaria se essa ideia prosperasse.

A não-urgência das reformas

Quando uma empresa tem problemas para pagar as suas contas, faz ajustes nas suas operações, o que inclui, infelizmente, a demissão de funcionários.

Não, um país não é uma empresa. Um país pode emitir sua própria moeda de curso forçado, ou pode se endividar indefinidamente (o que vem a ser a mesma coisa) e, assim, continuar pagando seus funcionários.

Mas um país pode ser comparado sim a uma empresa, no sentido dos efeitos universais da falta de dinheiro. Uma empresa que quebra simplesmente encerra as operações. Um país não pode ser “encerrado” do dia para a noite, mas vai sim ser “encerrado” aos poucos, regredindo graus de civilização. Olhe para a Venezuela para entender o que quero dizer.

Portanto, se o Brasil quiser evitar o “encerramento” como país, deve fazer um ajuste em suas operações. Claro, nada é urgente, até o momento em que se torna urgente. Acabamos de aprovar a reforma da Previdência, os juros estão nas mínimas históricas, tudo parece bem. Este seria o momento de se fazer o ajuste com calma. Mas não: vamos aguardar uma nova crise se instalar, com aumento do desemprego e da inflação (o que penaliza os mais pobres, não custa lembrar), por que o presidente representante das corporações não quer mexer com as castas dominantes do país.

– Ah, mas ele é que tem o “feeling” político, ele sabe que este não é o melhor momento para enviar a proposta.

Bem, acredite no que quiser. Um presidente faz a agenda política do país quando quer. Pelo menos poderia enviar o projeto para o Congresso e deixar o abacaxi nas mãos dos parlamentares. Mas o presidente simplesmente não quer botar a mão nesse vespeiro.

Está tudo muito bem por enquanto. Quando uma verdadeira crise internacional se instalar, os investidores farão a distinção entre quem fez a lição de casa e quem não fez. Quando o dólar bater R$5, saiba que foi por conta das reformas não realizadas a tempo. Macri que o diga.

Terra de Ninguém

“… o que não pode é continuar essa terra de ninguém”, decretou o ministro de “súbitas convicções jurídicas adquiridas”, como bem o apelidou Fernão Lara Mesquita em artigo de hoje.

E o que serão essas “normas de organização e procedimentos” para o compartilhamento de dados do COAF e da Receita com a polícia e o ministério público? Simples: só pode compartilhar se tiver autorização judicial. Isso significa que para compartilhar dados de políticos ou de ministros do Supremo, será necessária a autorização de um… ministro do Supremo, dado o foro privilegiado. Para compartilhar dados de pessoas da planície, como eu e você, bastará a ordem de um “juizeco de 1a instância”, na já clássica definição de Renan Calheiros.

A “terra de ninguém” a que se refere Gilmar é justamente equiparar todos diante da lei. As “normas e procedimentos” visam retornar ao status quo das Ordenações do Reino: todos são iguais perante a lei, mas alguns são mais iguais do que outros.

Trata-se de tema hermético, de difícil mobilização popular. Mas é a coisa mais fundamental que a Suprema Corte do país vai fazer para livrar a cara de políticos com foro privilegiado. Teremos, como sempre tivemos, duas justiças. Não é à toa que o clima em Brasília está um “ninguém solta a mão de ninguém”.

Vai FHC!!!

Extraído da página do economista Sergio Almeida:

Vocês:

“Mas o PT deveria admitir os erros na economia.”

“O PT tem em Haddad uma esquerda com discurso mais moderno e moderado.”

“Economistas ‘market-friendly’, como Marcos Lisboa, comporiam a equipe econômica.”

O PT:

A ingenuidade de FHC

“… em detrimento da relação de respeito mútuo que sempre mantivemos.

”Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkdksjdjjdjqkakakkkkskkkskmkskmmmkkkmdndjndj

Desculpem-me, ainda estou recuperando o fôlego.

Quando FHC vai aprender de uma vez por todas que não há respeito mútuo quando se trata do PT?

Ok, nunca.

A Porta da Esperança

Os dois últimos governos correram para atender as reivindicações dos caminhoneiros: tabela para o frete, financiamento do BNDES, cartão de congelamento de preço do combustível por 30 dias.

Bem, a tabela é de impossível aplicação, o financiamento esbarra no risco de se emprestar dinheiro para os caminhoneiros e o congelamento perdeu o sentido no momento em que os preços do petróleo estão caindo.

Mas resta uma reivindicação não atendida: o refinanciamento das dívidas. Aí entra essa entidade mágica chamada Caixa Econômica Federal. Ou simplesmente, “A Caixa”.

A Caixa é uma espécie de Porta da Esperança de todos os que precisam de dinheiro de alguma forma. Desde financiamentos subsidiados até cortes nas taxas de juros, a Caixa parece um manancial de dinheiro de graça para todas as necessidades.

Agora são os caminhoneiros, que esperam purificar suas dívidas nas águas mágicas da Caixa.

E querem saber? Tá certo! Se é para a Caixa agir como um banco qualquer, qual o sentido de sua existência? A Caixa só faz sentido se for para criar dinheiro fora da aporrinhação que é aprovar despesas via Orçamento Público.

Algum chato sempre vai lembrar que esse dinheiro não existe, que em algum momento terá que ser pago, de uma forma ou de outra. Basta não dar ouvidos, e acreditar que basta “vontade política”.

A Caixa nunca será privatizada.

Subsídios à energia solar

Outro dia fiz um post aqui discutindo o custo de geração de “energias alternativas” vis a vis a geração de energia com origem em petróleo. Meu ponto havia sido que o petróleo é ainda uma fonte muito barata de geração de energia, e seu reinado não terminaria tão cedo. No Brasil ainda temos a energia hidrelétrica, que é também mais barata que as “energias alternativas”.

Alguns comentaram sobre o avanço da energia solar, de como era muito mais barata do que a energia hidrelétrica, que valia a pena a troca.

Pois bem, reportagem de hoje mostra que o subsídio à energia solar chega hoje a R$400 milhões/ano. O que, dividido por 180 mil unidades produtoras, resulta em um subsídio, em média, de R$2.222, ou R$185/mês! E adivinha de onde sai esse subsídio? Acertou: da conta de todos os que usam energias não alternativas. A Aneel estima que este custo deve subir a R$ 1 bilhão em 2 anos e chegar a R$ 4 bilhões em 2027.

Nada contra que se subsidie a geração de “energias limpas”. Mas que fique claro que isso não é barato, e que sai do bolso de alguém. No caso, do nosso.

Minhas pendências com a Receita

“A Receita Federal do Brasil informa: foi enviada uma mensagem importante para a sua Caixa Postal em 17/11/2019”.

Assim, desse jeito, veio o SMS em pleno domingão, informando-me que a Receita havia me descoberto! Seria por conta de minhas atividades de lavagem de dinheiro? Ou minha sociedade em empresa fantasma? Ou minhas atividades sem emissão de nota fiscal? Ou ainda meu patrimônio incompatível com meus rendimentos?

Coração aos saltos, fui até o site da Receita. Era uma intimação! Meu Deus!

Fui ver então no detalhe: tratava-se de uma prosaica cobrança da contribuição previdenciária sobre o salário de minha empregada doméstica. Eu acho que paguei, mas devo ter feito alguma barbeiragem no site do E-Social (um site, como todos sabem, muito fácil de usar), então não constava o pagamento. Para provar que eu havia pago seria necessário comparecer a um posto da Receita, etc, e o valor não valia a pena. Paguei, aliviado por não ter sido pego em minhas outras falcatruas.

Se bem que o Toffoli agora está cuidando pessoalmente dessa parte, então estou mais tranquilo.

O centro e os polos na política

É realmente curioso como este debate sobre a “polarização” e a busca desesperada por uma solução “de centro” surgiu.

Até o aparecimento do “fenômeno Bolsonaro”, o país encontrava-se dividido fazia 25 anos entre PT e PSDB. Foram nada menos que 6 eleições presidenciais em que os dois partidos se enfrentaram, sendo os outros partidos meros coadjuvantes.

Nestes 25 anos, ninguém falava de “polarização”. PT e PSDB eram considerados partidos “moderados”, um mais à esquerda, o outro mais centro-esquerda, mas ambos muito civilizados e coisa e tal. Tratava-se de uma rivalidade fake.

Aí então, no vácuo de uma inexistente direita conservadora, surge Bolsonaro, para se contrapor à esquerda (PT) e à centro-esquerda (PSDB). Com isso, aparece a tal da “polarização” com o PT, que, não custa lembrar, foi considerado um partido “moderado” nos últimos 25 anos.

Vou repetir então: foi necessário o surgimento do movimento bolsonarista para que ficasse claro que o PT é um partido radical, tão radical como o seu antípoda. Antes disso, o PT sentava-se à mesa dos partidos civilizados, como qualquer outro.

Interessante como tudo é uma questão de perspectiva.