O lobby venceu!

Escrevi aqui comemorando os 379 votos na aprovação da reforma da Previdência. Me arrependi.

O projeto precisava de 308 votos para a aprovação. Obteve 71 votos de “gordura”. Para tanto, foram feitas várias concessões, entre as quais essa VERGONHA da aposentadoria dos policiais federais. Pergunto: quantos votos seriam perdidos se não fosse feita essa concessão? 30? 40? Ainda assim teríamos votos suficientes para a aprovação. E teríamos uma Nova Previdência com um pouco menos de privilégios.

Maia desfila como o “rei da Reforma”, mas na verdade concedeu muito mais do que o necessário para sair bem na foto. E nós, pobres mortais sem lobby, vamos pagar pela “paridade” e “integralidade” dos intocáveis da administração pública. 🤬🤬🤬

Nova Política

O Valor Econômico traça hoje um perfil bastante simpático do deputado Alexandre Frota (PSL-SP). Neófito na Câmara, Frota destacou-se como um dos principais articuladores dentro do partido no governo durante a tramitação da reforma da Previdência.

Na matéria, Frota “descriminaliza” as emendas parlamentares e os cargos indicados por deputados. Mas o trecho abaixo resume a descoberta da Política por parte do deputado, que aprendeu rapidamente a transitar em um mundo onde a “vontade do povo” é ouvida através da cacofonia de muitas vozes dissonantes, e onde os consensos são alcançados somente com muita conversa e concessões de lado a lado.

Essa é a Política, com P maiúsculo, que não pode ser confundida com crime.

Erros acontecem. O que importa é o que você faz com o erro.

No ano passado fiz uma reforma em meu apartamento e troquei os armários embutidos. O resultado final até que foi bom, mas houve alguns problemas recorrentes, principalmente nas portas de correr. Chamei a empresa várias vezes para consertar as portas. Em todas as vezes, eles responderam rapidamente, enviando um funcionário para resolver o problema.

Em determinado momento, o dono da empresa agradeceu-me pela paciência com que eu estava encarando os problemas. No que eu respondi: “eu que agradeço o seu serviço de pós-venda. Errar faz parte, só não erra quem não faz. O difícil é admitir o erro e procurar remedia-lo. Isso vocês estão fazendo muito bem.” Desde o pedido de desculpas até os esforços por remediar os problemas fizeram com que os erros cometidos fossem relevados.

Lembrei desse evento ao ler o caso do erro da Magazine Luiza, que ofereceu um cupom de desconto claramente errado. Assim como aconteceu quando Luiza Trajano caiu ao correr com a tocha olímpica, a Magazine Luiza aproveitou o erro para fazer marketing. Não se escondeu, não lutou contra a realidade. Fez do limão uma limonada, para usar um jargão batido.

Errar todo mundo erra. O que diferencia as empresas e as pessoas é como lidam com o erro.

Odor de um cadáver insepulto

O que há contra Aécio? Basicamente, uma gravação em que o então senador pede R$ 2 milhões a Joesley Batista para custear seus advogados.

Juridicamente parece pouco. Pedir dinheiro a alguém, sem uma contrapartida clara, não é passível de ser classificado como corrupção. Aécio e Joesley podem ser amigos de longa data, e pedir dinheiro a amigos não é crime. Isso é o campo estritamente jurídico.

Politicamente, é uma bomba. Joesley, ao lado de Marcelo Odebrecht, fazem a dupla “Capeta e Coisa Ruim” da política brasileira. Encarnam a corrupção. Pedir dinheiro ao Joesley é, politicamente falando, assinar um atestado de corrupto com papel passado em cartório.

FHC agarra-se ao domínio jurídico para defender o quadro histórico do PSDB. Faz de conta que o problema não é político. Quer repetir o erro que o partido fez no caso de Eduardo Azeredo, o ex-governador mineiro pego no chamado “mensalinho mineiro”. O partido teve que carregar o defunto político por anos e anos, porque Azeredo não havia sido condenado pela nossa célere justiça.

Enquanto FHC pontifica de sua cátedra, quem tem eleições pela frente sabe os efeitos do odor de um cadáver insepulto sobre o eleitorado.

Perigos de uma campanha precoce

“Diante de uma organização criminosa só seria eficaz um enfoque sistemático. Não se pode ignorar que era composta de indivíduos com seus direitos. Nesse caso, haveria um desvio autoritário. Mas ignorar que existia uma quadrilha e que eram mais do que indivíduos vulneráveis diante do Estado, no meu entender, é uma visão romântica”.

Sempre que tenho dúvida sobre algo, vou buscar a opinião de Fernando Gabeira. Raras vezes saio de mãos vazias.

O futebol feminino e a lógica econômica

O governador de NY defende que, como as mulheres jogam um melhor futebol que os homens, deveriam ganhar mais. Essa seria uma lógica “econômica”. Receio pelos moradores de Nova York ter um governador com esse entendimento de “economia”.

Alguns dados: a liga masculina de futebol dos EUA é disputada por 24 equipes, com média de público de 22.173 pagantes em 2017. A liga feminina de futebol é disputada por 9 clubes. Não encontrei uma média de público mais recente, mas o recorde de público de todos os tempos foi de um jogo em 2016, com 23.403 pagantes. O seja, o público máximo em um jogo feminino foi a média do público na liga masculina.

E tem um detalhe importante: ao contrário do Brasil, onde a liga masculina foi fundada décadas antes da liga feminina, nos EUA ambas as ligas são praticamente contemporâneas. O primeiro campeonato da liga masculina ocorreu em 1996, enquanto o primeiro da liga feminina foi jogado em 2001. Ou seja, o tempo de desenvolvimento foi praticamente o mesmo.

Na verdade, a atual liga feminina foi fundada em 2013, sucedendo duas outras que foram fundadas anteriormente. A primeira teve duração curta, de 2001 a 2003, e fechou depois de acumular 100 milhões de dólares de prejuízos. A segunda também fechou após prejuízos. Para evitar o mesmo fim das duas primeiras ligas, a atual estabeleceu um TETO DE SALÁRIOS para as atletas.

A final da Copa do Mundo feminina foi assistida por 20 milhões de pessoas no Brasil e por 15,6 milhões de pessoas nos EUA, segundo dados da FIFA. A final masculina de 2018 entre França e Croácia foi acompanhada por 14,6 milhões de americanos. Ou seja, mesmo com a própria equipe na final, o público atraído foi praticamente o mesmo.

O governador de NY e todos os que defendem “equal pay” deveriam queimar os miolos para encontrar formas de tornar o soccer feminino mais popular nos EUA. Qualquer coisa diferente é mera militância política.

Tabata Amaral

Escrevi o seguinte post no dia 07/05:

“Tabata Amaral não consegue entender como a esquerda pode fechar questão contra a reforma da Previdência, um sistema iníquo de concentração de renda.

Eu explico pra você, Tabata: trata-se pura e simplesmente de luta política por espaços de poder. É o mesmo motivo pelo qual o Centrão vai votar uma reforma “desidratada”, para evitar o fortalecimento do governo. O povo que se exploda.

Parabéns Tabata, por não entrar nesse jogo. Posso não concordar com todas as suas ideias, mas o primeiro passo para o consenso é a honestidade intelectual. E isso você tem”.

Hoje, pouco mais de dois meses depois, Tabata Amaral e outros poucos deputados do PDT e do PSB não seguiram a orientação partidária e votaram a favor da reforma. Lupi e Ciro afirmaram que vão expulsar Tabata e os outros. Duvido. Hoje, o partido precisa mais de uma estrela em ascensão como Tabata do que vice-versa.

Os pais da reforma

379 votos para uma reforma impopular como a da Previdência não é para qualquer um.

Filho bonito tem muitos pais e, quem diria, a Reforma da Previdência se transformou em um filho lindo, disputadíssimo.

Afinal, quem são os pais da reforma?

Temer é o primeiro deles. Ao lado de outras reformas importantíssimas, o governo Temer foi o primeiro a propor uma reforma abrangente depois de quase 20 anos após a última, no governo FHC. Foi dado o início de todo um trabalho de convencimento da opinião pública, e a reforma teria sido aprovada não fosse o escândalo conhecido como “Joesley Day”.

O segundo pai é a dupla Bolsonaro/Guedes, que tiveram a iniciativa de enviar a proposta de uma reforma para o Congresso. Apesar de poderem ter utilizado a reforma de Temer, optaram pelo caminho mais arriscado de enviar um projeto totalmente novo, muito mais ambicioso. Conseguiram.

O terceiro pai é Rodrigo Maia. Ele assumiu para si a tarefa de articular os apoios que terminaram na acachapante votação de hoje. Não há dúvida de que, se não fosse o empenho de Maia, que era o único a afirmar ser possível votar a reforma antes do recesso, essa proposta não teria saído do lugar.

O Congresso brasileiro é o quarto pai dessa reforma. É difícil imaginar que uma reforma tão impopular tenha sido aprovada por “interesses menores”. Posso estar sendo ingênuo, mas acredito que a maioria dos deputados, neste caso bem específico, estava realmente convencida de que precisávamos evitar o precipício. Não aprovar a reforma seria entregar o país de volta ao PT, o que não interessa a ninguém, a não ser aos próprios petistas.

Por fim, o quinto pai dessa reforma são todos os técnicos que trabalharam na proposta e no convencimento dos congressistas e da opinião pública, entre os quais destaco Paulo Tafner e Pedro Fernando Nery. Mas há muitos outros, que trabalharam no governo Temer e trabalham no governo Bolsonaro, sem os quais não teria sido possível esta aprovação.

Quase 74% do Congresso votando a favor da Reforma da Previdência, que é uma das reformas mais impopulares em qualquer lugar do mundo. Só no Brasil.

A verdadeira face da Rede

A Rede encaminhou voto contra a reforma da Previdência.

A Rede, se me lembro bem, era o partido daquela candidata ponderada, que aparentava ter as melhores solucionáticas para as problemáticas do País. A candidata dizia que apoiava a reforma, mas não a do Temer. Pelo visto, continua apoiando, mas não a do Bolsonaro.

Prefiro a postura dos partidos de oposição, que dizem que são contra. São mais honestos.