
Bolsonaro defende que, como os policiais nunca tiveram privilégios, passem agora a tê-los. É o que se concluiu da fala abaixo.
Continuamos a ser a República dos Privilégios. Eles só mudam de lado, dependendo do governante de plantão.

Apenas um repositório de ideias aleatórias

Bolsonaro defende que, como os policiais nunca tiveram privilégios, passem agora a tê-los. É o que se concluiu da fala abaixo.
Continuamos a ser a República dos Privilégios. Eles só mudam de lado, dependendo do governante de plantão.


Liberar mais crédito em um ambiente onde as famílias já estão endividadas não parece ser o motor que vai levantar a economia.
Claro, as famílias podem se endividar cada vez mais. A vantagem hoje, em relação a 2013, é que os juros estão mais baixos, tornando o carregamento da dívida menos oneroso. Por outro lado, o desemprego é bem maior, tornando mais arriscado o endividamento.
De qualquer forma, o canal do crédito para consumo parece estar próximo do esgotamento. O governo vai precisar tirar outros coelhos da cartola para reativar a economia.
E você, faria mais dívidas para consumir?
Para você que gosta de cálculo de probabilidades, uma charada: quando é que “mais de 99%” representa, na verdade, “menos de 1%”?

Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Alagoas, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul.
Nestes Estados, o governo gasta mais com policiais e bombeiros aposentados do que com os profissionais da ativa. Não que os outros Estados estejam muito melhores. Com exceção de Roraima e Amapá, todos os outros gastam mais de 30% do orçamento da segurança pública com inativos.
Qual o risco de um troço desses dar certo?

Doadores de sangue teriam direito a meia-entrada em shows e cinemas. É válido?
A palavra “doação” significa dar gratuitamente, sem contrapartida alguma. No momento em que há uma contrapartida (no caso, a meia-entrada), deixa de ser doação e passa a ser comércio.
Sendo comércio, cabe a questão: quem deveria pagar pelo sangue “doado”? Certamente, não os promotores de shows e os donos de cinemas. E muito menos aqueles que frequentam shows e cinemas, os quais, como sabemos, acabam arcando com ingressos a preços maiores para subsidiar a meia-entrada.
Se o sangue será vendido, o pagador deveria ser o paciente que recebe o sangue, via a conta do hospital. Se tem convênio médico, seria o convênio a pagar pelo sangue, despesa esta que certamente estaria embutida nas mensalidades.
Enfim, se é para pagar pelo sangue, que se cobre quem de direito, e se deixe em paz quem não tem nada a ver com isso.
Há alguns anos, às vésperas de um 9 de julho, meu ex-chefe, carioca, perguntou-me que feriado era aquele. Expliquei da melhor maneira que pude: defesa de uma nova constituição, luta contra a ditadura de Vargas, defesa dos ideais democráticos. No que ele me responde: “ah, agora começo a entender São Paulo”.
Alguém já disse que São Paulo é o mais norte-americano dos estados brasileiros. Trabalho com pessoas vindas do Rio, Bahia, Rio Grande do Sul. Todos são unânimes em dizer que em São Paulo “as coisas funcionam”, que é “a terra onde a competência é valorizada”. Certa vez, almoçando com um carioca em um restaurante por quilo, ele ficou impressionado com a destreza da moça do caixa, que atendia 3 clientes ao mesmo tempo. “Por isso que São Paulo é diferente, isso no Rio não existe”.
Obviamente, toda generalização é burra. Certamente há pessoas competentes e trabalhadores no Brasil inteiro, assim como há gente preguiçosa e desleixada em São Paulo. Mas estou falando aqui da percepção de oriundos de outros estados. Assim como quem migra para os EUA tem a sensação de que lá “as coisas funcionam”, quem migra para São Paulo tem a mesma sensação.
Lembro, quando era criança em idade escolar, de minha mãe ouvindo de manhã bem cedinho, enquanto preparava nosso café da manhã, o noticiário da Jovem Pan. Até hoje, mais de 40 anos depois, lembro da música de abertura: 🎶São Paulo que amanhece trabalhando. Paulista que não sabe adormecer. Porque durante a noite, paulista vai pensando nas coisas que de dia vai fazer.🎶 E terminava com o refrão “vambora, vambora, tá na hora, vambora, vambora.” Aquilo energizava. E representa a essência de São Paulo.
Hoje temos muito pouca consciência cívica, aquilo que nos constitui como uma Nação. Se as pessoas não sabem o que foi o 7 de setembro ou o 15 de novembro, é exigir demais que saibam o que é o 9 de julho. Os cínicos dirão que tudo não passa de luta pelo poder. É verdade. Todas essas datas representam lutas pelo poder. Mas, se fosse somente isso, ficariam circunscritas aos palácios e o povo ficaria em casa. As pessoas se movem por um ideal.
Em 9 de julho, os paulistas pegaram em armas para defender um ideal, aquilo que faz de São Paulo ser o que é. É sempre bom recordar.


Esquerda radical.
A palavra “radical” nos remete a algo que “não se mistura”, que “não cede a compromissos” com outras forças políticas, algo que se mantém “puro”. A palavra “radical” vem do latim “radix”, raiz. Ser radical significa, portanto, ter raizes, respeitar e ser fiel às próprias origens e convicções.
Diferente da palavra “extrema”.
“Extrema esquerda” soa a alguém que usa quaisquer métodos para impor suas ideias. É também radical, mas vai além: chega a ser criminoso. No mínimo, sugere a ideia de intolerância. O termo “extrema esquerda” normalmente é associado a grupos terroristas, à margem da lei.
Note: na imprensa, partidos na ponta esquerda do espectro político são chamados de “radicais”, enquanto na ponta direita são chamados de “extrema”. Por que será?

Só tem um pequeno detalhe: Dias Toffoli tem ainda mais 15 meses de mandato.
Vamos ver até onde vai a convicção da moça.

Bolsonaro vai levar o ministro Moro amanhã ao Maracanã. Será como nas arenas romanas, onde os assistentes pedem pela vida ou pela morte do gladiador. Bolsonaro espera que os polegares virem para cima.
Trata-se de um risco político calculado. Parece óbvio que, em um estádio lotado com torcedores que vestem as mesmas camisas que foram usadas nas manifestações de apoio à Lava-Jato, o apoio a Moro seja majoritário.
Faz sentido esse gesto do presidente? De certa forma, sim. Indubitavelmente, a Lava-Jato assumiu uma dimensão política, além da estritamente jurídica, sendo, inclusive, responsável remota pela eleição de um presidente da República. Então, é natural que ela seja defendida também no campo político, além do jurídico. Os vazamentos do Intercept têm objetivo político, o objetivo jurídico é subsidiário. Bolsonaro pretende defender a Lava-Jato no campo político com esse gesto.
Também pode haver gente que torça o nariz para essa “ligação direta” com o povo. Primeiro, porque o Maracanã de amanhã está longe de representar a totalidade do povo. Mas, mais do que isso, o problema seria conceitual: o presidente precisaria respeitar as instâncias institucionais, e não fazer ligação direta com o povo, que é a marca de governos populistas e, no extremo, ditatoriais.
Mas a popularidade faz parte das democracias. Se não fizesse, não haveria pesquisa de popularidade de presidentes. Esse canal direto, essa identificação do povo com o mandatário, faz parte do quebra-cabeças institucional. Um presidente impopular não consegue liderar o país. Temer foi uma exceção, e mesmo assim porque seu mandato foi muito curto.
Os aplausos no estádio, apesar do Maracanã não representar o povo, serão um símbolo político. Bolsonaro sabe que precisa desse símbolo para seguir em frente.