Caraca, ainda tem 10% que paga!


Apenas um repositório de ideias aleatórias
Caraca, ainda tem 10% que paga!

Se não me engano era 2001. Silvio Santos havia sido feito refém em sua própria mansão no Morumbi. O então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, havia participado pessoalmente das negociações com os bandidos.
Em uma entrevista coletiva, um dos jornalistas fez a clássica pergunta: no meio de tanta violência, com tanta gente sendo sequestrada dia e noite, por que o tratamento especial para Silvio Santos? Ao que Alckmin respondeu, desnudando a hipocrisia da pergunta: se ele não fosse especial, os senhores não estariam aqui fazendo essa coletiva.
Há pessoas especiais no mundo. Lula é uma delas. Nada do que acontece com ele passa despercebido. Houve quem criticasse o forte esquema de segurança que o acompanhou para o velório do neto (desperdício de dinheiro público!), mas não havia outro jeito para que se cumprisse um direito seu. Ele é especial, e merece medidas especiais.
Somente no mundo socialista perfeito, aquele que só existe na cabeça dos desmiolados, todos os homens são iguais. No mundo real, os homens são iguais em sua dignidade de seres humanos, mas diferentes em sua importância para o mundo. É daí que nascem as diferenças de riqueza e tratamento, aquilo que costumamos chamar de “meritocracia”.
Lula é um sujeito que, com base em seus méritos, tem mais importância do que todos os outros brasileiros. Nenhum outro brasileiro, hoje, desperta tanto amor e ódio. Isso não tem nada a ver com sua inocência ou culpa, nada a ver com o bem ou com o mal que fez. É assim porque é assim.
Sim, Lula fez por merecer o tratamento especial que recebe. É mérito dele.
Reportagem de hoje no Estadão sobre os supostos “dissabores” de Moro em Brasília. Um dos exemplos seria a separação do crime de Caixa 2 do restante do pacote anticorrupção.
Como “prova” de que Moro voltou atrás em um posicionamento histórico, o jornalista contrapõe duas falas do atual ministro.

Aí você vai ler, e não é nada disso.
Na primeira fala, mais atual, Moro distingue os dois crimes, afirmando que ambos são graves. Na segunda, mais antiga, Moro diz que o caixa 2 é um crime grave, uma espécie de “trapaça eleitoral”. Fiquei procurando onde Moro dizia que caixa 2 é o mesmo que corrupção.
Que caixa 2 não é o mesmo que corrupção parece claro. Recursos de doações podem não ser contabilizados porque sua origem pode ter sido fruto de crime, qualquer crime, inclusive corrupção, mas não necessariamente. Pode ser, por exemplo, sonegação fiscal por parte do doador.
Que caixa 2 é uma “trapaça” eleitoral também parece claro. Um partido que não contabiliza os recursos que recebe tem vantagem ilícita sobre outro que contabiliza, pois amplia irregularmente o leque de potenciais doadores. Novamente, isso pode ou não ter a ver com corrupção, a depender da origem do dinheiro, mas são crimes diferentes.
Os dois textos de Moro, separados por 3 anos, são claros: ambos condenam o caixa 2 e nenhum deles diz que caixa 2 é equivalente a corrupção. Das duas uma: ou o jornalista que escreveu a matéria não consegue fazer a interpretação do texto e realmente acredita naquilo que escreveu, ou está de má fé. Assim como caixa 2 e corrupção, incapacidade de ler um texto e má fé são crimes diferentes, ainda que possam ser correlatos.
O editor do Valor, César Felício, lembra a experiência de Portugal no corte das aposentadorias. Perto do que foi feito na Metrópole, a proposta do governo é um passeio no parque.
Mas Portugal não tinha saída: por pertencer à zona do Euro, tinha que resolver seu problema fiscal do modo clássico: cortando despesas. Não havia jeitinho.
No Brasil, não chegaremos a esse ponto. Se não conseguirmos equacionar a dívida pública cortando despesas, o confisco das aposentadorias se dará pelo método brasileiro: inflação. E, como sempre, quem pagará a conta são os mais pobres, pois inflação é o confisco do dinheiro do pobre.

Leiam.
Espero sinceramente que este governo, que se diz o único verdadeiramente liberal da história do Brasil, não continue com essa historinha petista de que “não precisa privatizar, basta ter uma gestão técnica e livre de influências políticas”.


Bombeiro, policial militar, professor, precisam parar de se achar os únicos sofredores do mundo.
O pedreiro, que fica quebrando laje e assentando tijolo o dia inteiro, também tem um trabalho sofrido.
A empregada doméstica, que sai de madrugada de casa e tem uma jornada extenuante na casa dos patrões, incluindo aguentar os fedelhos impertinentes, também tem um trabalho sofrido.
A enfermeira, que se expõe aos mais diversos tipos de doença e precisa lidar com a má vontade de pacientes e familiares, também tem um trabalho sofrido.
Enfim, poderia aqui continuar indefinidamente com uma lista de profissionais que trabalham em atividades insalubres e, nem por isso, contam com os PRIVILÉGIOS de terem salários maiores que a média nacional, estabilidade no emprego e aposentadoria mais cedo que todo mundo.
Eu sim sou privilegiado. Eu sim, trabalho no ar condicionado em uma atividade intelectual. Mas, não se engane: não serei somente eu a transferir meus privilégios para policiais militares, bombeiros e professores. É às custas do pedreiro, da empregada doméstica, da enfermeira que as categorias PRIVILEGIADAS do funcionalismo público manterão seus PRIVILÉGIOS.
São os mais pobres, sempre, que pagam o pato.
Estavam reclamando que o Bolsonaro ainda não tinha entrado em campo para defender a reforma da Previdência.
Pois bem, a pedidos, hoje o presidente conversou com jornalistas a respeito.
Jogou às feras as mudanças no BPC e a idade mínima da mulher. E isso porque a CCJ nem foi instalada ainda, os debates no Parlamento ainda estão nas preliminares.
Talvez seja o caso de repensar se Bolsonaro precisa mesmo entrar no debate.
O PIB cresceu 1,1% em 2018, mesmo número de 2017.
Considerando que a população cresce 0,8% ao ano, a renda per capita cresceu estupendos 0,3% ao ano nos últimos 2 anos.
Se continuar nesse ritmo, recuperaremos a renda per capita do final de 2013 em 2044.
Parabéns aos envolvidos.
Trecho da entrevista com o prefeito de São Paulo, Bruno Covas.

Valores MÉDIOS das aposentadorias de professores da rede municipal.
Julguem.
(Uma informação: o rendimento médio dos 10% mais ricos da população brasileira foi de R$ 6.629 em 2017, segundo o IBGE)

O presidente da Caixa não está recebendo os parlamentares. Ele diz que tem mais o que fazer. Seu mandato, quando foi contratado, foi o de sanear o banco, não o de atender demandas parlamentares.
Vamos observar um pouco mais de perto a coisa.
Por que os parlamentares querem tanto falar com o presidente da Caixa? Que tipo de poder ele possui, que atrai tanta gente?
A resposta não é difícil: dinheiro. O presidente da Caixa tem um poder discricionário sobre o que o banco faz com o seu capital. Existe ali uma espécie de “orçamento paralelo”, em que o congressista consegue dinheiro sem precisar passar pelo desgastante processo parlamentar. O que o presidente da Caixa, Paulo Guedes e o próprio Bolsonaro ainda não entenderam (ou fingem não ter entendido), é que a própria existência da Caixa (e do Banco do Brasil) não faz sentido se não for para servir como um orçamento paralelo. Qual o sentido do Tesouro ser acionista de um banco que se pauta pelas mesmas regras de um competidor privado?
Aqueles ingênuos que são contra a privatização dos “bancos oficiais” porque pensam que é possível fazê-los rentáveis através de uma administração austera (como é o caso hoje), deveriam dar ouvidos às queixas dos parlamentares. É questão de tempo para que o bem-intencionado presidente da Caixa abra as portas de seu gabinete. Essa é a lógica da existência da Caixa.
Não há solução de compromisso: ou se coloca a privatização corajosamente na mesa, ou a Caixa vai ser saneada para voltar a ser exatamente o que era: uma forma de driblar o orçamento da União.