Agora, a proposta de idade mínima menor para a aposentadoria, idades mínimas diferentes por profissão e a crítica ao aumento da alíquota de contribuição do funcionalismo, por parte do próprio Bolsonaro.
A reforma da Previdência começa seu lento caminho em direção ao topo do telhado.
Brasil acima de tudo, Deus acima de todos, e minha aposentadoria primeiro.
Algumas associações de advogados trabalhistas entraram no Supremo contra a extinção do ministério do Trabalho.
Muito justo.
Afinal, esse é mais um passo no desmonte da estrutura que mantinha os empregos dos advogados trabalhistas. E advogado trabalhista sem trabalho é muito triste.
De vez em quando, até Eugênio Bucci escreve coisas interessantes. É o caso desse artigo.
Segundo o professor da ECA, a única chance das esquerdas no Brasil é libertarem-se do seu passado, jogando ao mar os dirigentes que cometeram crimes, em uma autocritica pública. Escrevi mais ou menos a mesma coisa há alguns dias, quando comparei os petistas aos escravos do faraó, que entram na tumba com o seu chefe para morrerem juntos.
Só tem um probleminha com a ideia do artigo: é desconsiderar a natureza do PT e de seus satélites. O culto à personalidade e o terror da nomenklatura fazem parte constitutiva de partidos desse tipo.
Quem assistiu A Morte de Stálin sabe do que estou falando. Apesar do tom burlesco e farsesco, o filme retrata muito bem a atmosfera da Rússia stalinista. E Krushev somente teve peito para fazer uma critica aos anos de Stálin quando estava, ele próprio, bem aboletado no poder.
É assim que funciona. Não existe isso de “autocritica”. Os dirigentes do partido sempre estão certos e dizer o contrário é um crime contra o partido. Criam-se todas as narrativas necessárias para manter o líder e a nomenklatura em seus devidos lugares.
Em partidos normais da democracia, quando um líder é pego com batom na cueca, cai imediatamente no ostracismo, por mais que seus colegas de partido tentem disfarçar. Aécio Neves é o caso clássico. Alguém imagina “vigílias” na frente da prisão de Aécio? Pois então.
Bucci sugere que o “déficit democrático” do PT seria resolvido com uma autocritica pública, jogando seus dirigentes ao mar e reciclando suas lideranças. Seria verdade se fosse possível. Mas o caráter stalinista do partido já ficou mais do que comprovado. Outro líder somente surgirá quando o atual se for. E o próximo líder sim, fará a “autocritica” do partido, mas somente para preservar o próprio poder. Essa é a lógica.
Bucci está pedindo que o PT mude de natureza, que se transforme em uma espécie de PSDB sem tipos como o Doria. Não vai acontecer. O escorpião tem sua própria natureza, nasceu com ela, vai morrer com ela.
No auge da campanha eleitoral, eu participava de uma das muitas reuniões que tivemos, na empresa onde trabalho, com “analistas políticos”. No caso, se tratava de uma grande e respeitada consultoria global.
Haddad tinha começado sua escalada e o consultor, do alto de seus altos estudos, vaticinou: “Haddad vence o primeiro turno. No 2o turno, Bolsonaro pode virar em função do sentimento anti-petista, mas vai ser uma eleição muito difícil”. Bem, o resto é história.
No que se baseava essa previsão? O impeachment havia sido uma benção para o PT, que havia se livrado de sua própria “herança maldita”, deixando-a no colo da oposição. Se Dilma estivesse ainda no posto, não haveria como disfarçar a calamidade. Já tinha ouvido muito desse tipo de “análise”, mas me espantei com tamanho simplismo vindo de uma consultoria tão renomada.
Aqui entra a saga de Maurício Macri para ilustrar o meu ponto. Digamos que, maquiavelicamente, o mundo político tivesse decidido deixar Dilma “sangrar” no cargo, enfiando o país em um buraco cada vez mais fundo. Assumamos que isso tivesse dado “certo” e um candidato da oposição tivesse vencido a eleição.(Este cenário de uma vitória da oposição é teórico. Com os instrumentos de poder na mão, uma derrota do PT – provavelmente Lula solto – seria mais do que incerta. Fecha parêntesis).
Como estaria esse novo presidente agora? Muito provavelmente como Macri: lutando uma luta inglória para tirar o país do buraco de políticas econômicas equivocadas. E lembre-se: seriam dois anos e oito meses adicionais de caminhada para o abismo.
Hoje, as pesquisas indicam Macri empatado com ninguém menos que Cristina Kirshner! Sua impopularidade explodiu e já empata com a da ex-presidenta. Tudo isso porque ele está tendo que fazer a lição de casa, sempre impopular, de colocar as finanças públicas em ordem. Quanto maior o buraco, maior o desgaste.
Agora, imagine Bolsonaro assumindo depois de oito anos completos de desgoverno Dilma. A imagem mais próxima que consigo imaginar é Collor assumindo depois de 5 anos de desgoverno Sarney. Collor não chegou ao fim de seu mandato.
A história ainda vai reconhecer o papel de Michel Temer. Não só evitou que o país continuasse a caminhar para o buraco ao se colocar como alternativa política viável para substituir Dilma, como aplainou o caminho para a viabilidade política do próximo governo. Carregou o ônus da impopularidade que recairiam nas costas do governo seguinte, como demonstra Macri.
O trabalho que aguarda o governo Bolsonaro não deve ser subestimado. Ajustes gigantescos na estrutura do Estado e das instituições precisam ser feitos para permitir que o país retome seu potencial de crescimento econômico. Mas não tem dúvida também que o terreno é muito melhor do que aquele encontrado por Maurício Macri.
Não, o impeachment não foi útil ao PT, como sugeriu aquela famosa consultoria global. O impeachment foi útil ao País, pois permitirá que o governo Bolsonaro construa sobre bases mais sólidas, graças à limpeza operada por Temer. Se aproveitará a oportunidade, é lá com ele.
Há quem a critique, mas eu acho sensacional o simbolismo da posse simbólica de Lula para um quinto mandato consecutivo do PT, depois de amanhã, em Curitiba.
Tomara que os petistas não se contentem em gritar um simbólico “Viva o presidente!” na calçada em frente ao prédio (concreto) da Polícia Federal, e nomeiem também um ministério simbólico para, simbolicamente, governar o país por simbólicos quatro anos.
Lamentável é que tenham demorado tanto para ter essa ideia. Isso deveria ter sido feito já em 2003. Um governo simbólico, naquela ocasião, teria indicado diretores simbólicos para a Petrobras e saqueado apenas simbolicamente a empresa.
Teríamos tido um mensalão simbólico e só o simbolismo do triplex e do sítio. O calote dos países bolivarianos teria sido simbólico, simbólica a quadrilha formada por Dirceu, Genoíno, Delúbio e cia.
Friboi e Odebrecht não passariam de símbolos. Toffoli e Lewandowski seriam ministros simbólicos do Simbólico Tribunal Federal.
A simbolicíssima Dilma faria uma faxina simbólica varrendo simbolicamente para debaixo de um simbólico tapete os malfeitos simbólicos dos seus simbólicos ministros. Simbólicas pedaladas culminariam num simbolicamente fatiado impítimã e permaneceria intacta a simbologia do golpe.
Após dezesseis anos de puro simbolismo, o presidente que efetivamente toma posse nesta terça receberia um país com menos desemprego, menos ódio, menos doutrinação, menos violência.
Que a posse simbólica de Lula seja um símbolo de que o Brasil enfim achou o rumo e que ninguém – nem o PT – consegue errar o tempo todo.
Muito sucesso em seu governo simbólico, presidente Lula!
(Questão de ordem: Em caso de indulto ou uma marcoaurelice qualquer, o Haddad assume simbolicamente o cargo?)
Enquanto Lula for vivo, as esquerdas em geral e o PT em particular serão um seu puxadinho. O que existe é Lula, o resto é só apêndice.
A prova disso é que nem a prisão de Lula foi capaz de libertar o PT. Pelo contrário: o partido, seus intelectuais, religiosos, artistas, jornalistas, foram junto com Lula para a cadeia, como iam para a tumba os escravos do Faraó, acompanhando seus restos mortais, condenados eles mesmos a morrerem com seu senhor.