O legado de Michel Temer

Ainda na vibe da retrospectiva, vou listar aqui as 10 mais importantes iniciativas do governo Temer, nestes 2 anos e 8 meses que se encerram amanhã:

1. Reforma trabalhista

2. Fim do imposto sindical (está dentro da reforma trabalhista, mas é tão simbólico que merece um item à parte)

3. Reforma da Previdência (não foi aprovada, mas avançou muito no trâmite. Será uma burrice se o novo governo não aproveitar o que já foi feito até o momento)

4. Reforma do Ensino Médio

5. Aprovação do teto de gastos

6. Privatização das distribuidoras deficitárias da Eletrobrás, o que abre caminho para a privatização da própria estatal

7. Recuperação das finanças da Petrobras

8. Nomeação de um quadro competente para o BC, que derrubou a inflação e permitiu a taxa Selic mais baixa da história

9. Permissão de 100% de capital estrangeiro nas companhias aéreas

10. Last but not least, coordenação do impeachment de Dilma Rousseff

Temer encerra o seu curto mandato com uma das maiores desaprovações populares da história. Com tamanha impopularidade, somente Sarney. Mas a impopularidade de Sarney teve sua origem no debacle econômico causado por uma série de planos mal sucedidos para conter a inflação. Temer é rejeitado pela população por conta de variados escândalos de corrupção (a imagem de Rocha Loures correndo com uma mala de dinheiro e o áudio com Joesley Batista valem por mil palavras) e uma imagem de fisiologismo que foi rejeitada pelos eleitores.

Mas, ao contrário de Sarney, Temer deixa uma base robusta na economia. Ainda se reconhecerá o muito que se fez em tão pouco tempo e em circunstâncias tão adversas. Como diria o próprio Temer, “tem que manter isso, viu?”.

Os 10 fatos mais marcantes de 2018

Os 10 acontecimentos mais marcantes de 2018, segundo minha particularíssima avaliação. Você substituiria algum?

1. 24/jan: Condenação de Lula é confirmada pelo TRF-4. Pena é elevada de 9 anos e 6 meses para 12 anos e 1 mês

2. 16/fev: Temer decreta intervenção federal na Secretaria de Segurança Pública do RJ

3. 07/abr: Lula é preso em Curitiba

4. 21/mai: Tem início o protesto dos caminhoneiros

5. 11/Jun: O presidente Donald Trump encontra-se com o ditador norte-coreano Kim Jong-un

6. 15/jun: O governo Trump impõe sobretaxa de 25% sobre importações da China, iniciando a Guerra Comercial contra aquele país

7. 06/jul: A seleção brasileira perde para a Bélgica e é eliminada da Copa do Mundo da Rússia

8. 06/set: Bolsonaro é esfaqueado em ato de campanha em Juiz de Fora

9. 28/out: Bolsonaro é eleito presidente do Brasil

10. 02/nov: O juiz Sérgio Moro aceita ser Ministro da Justiça

Tosco

Trump é um homem de negócios. Quando ele compra um imóvel de alguém, ele considera que está “loosing money” só porque o dinheiro saiu do seu bolso?

Pois é exatamente isso o que ele sugere, ao confundir déficit comercial com prejuízo. Eu tento não achar o Trump um tosco, mas ele não colabora.

Despertar da cidadania

Ainda não consegui passar da página 2 do Estadão. Este artigo, ao lado do anterior de Modesto Carvalhosa, também merece sua leitura.

Uma nota útil: Murillo de Aragão é um analista político respeitado, acompanho seu trabalho há mais de 20 anos. Longe de ser um doidivanas alt-right embarcando na mais nova onda. O que dá mais peso a suas palavras.

Sentar para negociar com quem?

De maneira geral, boa entrevista do Mourão hoje no Valor. Diagnóstico correto sobre o que impede o crescimento do PIB. Mas quando desce aos detalhes…

Mourão ainda vive na década de 80 quando fala da dívida pública. Como se o governo devesse pra meia dúzia de bancos e fosse possível sentar em uma mesa e renegociar a divida…

A dívida pública está nas mãos dos investidores em geral, através principalmente de fundos de investimento e fundos de pensão. Os administradores profissionais desses fundos, no final do dia, fazem o que os donos do dinheiro querem. E o que queremos? Rentabilidade com segurança.

O Brasil paga muito juros porque os juros são altos e a dívida é gigante. As duas coisas estão interligadas: se a dívida fosse menor, os credores teriam mais confiança e cobrariam juros menores. Além disso, quanto menos dívida no mercado, mais sobra dinheiro, diminuindo a pressão sobre os juros. Uma questão de oferta e demanda.

Não tem isso de “negociação”. O que existe é o mercado de dívida. Se o governo fizer a lição de casa, os juros exigidos pelos credores (repito, todos os que temos investimentos no mercado) será menor. Isso se dará de maneira natural. Isso de “sentar pra negociar” é uma rematada bobagem. Ainda bem que Mourão, ao que parece até o momento, será uma figura decorativa no novo governo.

Muito estranho!

Sabe aqueles grupos de zapzap que criaram só pra fazer campanha pro Bolsonaro? Esqueceram de desativar, e agora não para de chegar mensagens de Feliz Natal no meu telefone. Só pode ser coisa de uma grande central manipuladora. Afinal, é muito estranho mensagem de Feliz Natal no dia 24 de dezembro. Aí tem!!!!

Feliz Natal para todos os meus amigos!

É preciso mobilizar-se desde já

Esse troço vai voltar a ser discutido em abril. A mobilização precisa ser muito forte, porque a bandidagem não dorme no ponto.

Da página de Rafael Rosset


Nos EUA e Reino Unido, você pode ser preso após ser condenado por UM juiz.

Na França, Alemanha e Holanda, você pode ser preso após ser condenado por QUATRO juízes, um de primeira instância e mais três de uma corte de apelação. Na Holanda e na França se exige o trânsito em julgado, mas a Suprema Corte não atua como revisora criminal das instâncias inferiores, o que significa que o trânsito em julgado ocorre logo após a decisão do tribunal de apelação (segunda instância). Na Alemanha também se exige o trânsito em julgado, mas além de a Suprema Corte não ser revisora criminal, crimes graves, como os dolosos contra a vida, já começam a tramitar nos tribunais de apelação.

No Brasil, a prevalecer o entendimento de Marco Aurélio Mello, salvo os casos de prisão preventiva, qualquer criminoso só poderá ser preso após ser condenado por QUATORZE juízes: um de primeira instância, três de alguma corte de apelação, cinco de alguma das seis turmas do STJ e mais cinco de alguma das duas turmas do STF. Isso é o mínimo: um advogado habilidoso pode manejar recursos que forçarão uma manifestação dos órgãos especiais ou dos plenários de cada tribunal, como embargos infringentes e agravos internos e regimentais. O órgão especial do Tribunal de Justiça de São Paulo é composto por 25 desembargadores; o órgão especial do STJ é composto por 15 ministros, e o pleno do STF por 11, logo, no limite, alguém bem assessorado pode exigir que seu cliente só seja preso após os pareceres de CINQUENTA E CINCO magistrados.

Cerca de 18% das sentenças condenatórias proferidas por juízes de primeira instância são revertidas em absolvição nos tribunais de apelação (ou seja, menos de 1 em cada 5 réus condenados na primeira instância são absolvidos na segunda). Daí a importância do duplo grau de jurisdição. No STJ esse percentual cai pra 0,62%. Ou seja, uma sentença condenatória revisada por um tribunal de apelação estará certa em 99,38% dos casos. A se condicionar o encarceramento ao trânsito em julgado, o Estado terá permitido, em 99,38% dos casos, que um criminoso permaneça convivendo normalmente em sociedade, lado a lado com a sua família.

Em NENHUM país do mundo se espera que a Suprema Corte tenha a palavra final sobre a privação de liberdade de um criminoso condenado nos tribunais de apelação. A Suprema Corte dos EUA, por exemplo, é menor que a brasileira (são apenas 9 juízes), e se tivessem que ter a palavra final sobre o encarceramento de cada um dos 2,3 milhões de detentos daquele país, é altamente provável que quase nenhum criminoso viesse a sofrer pena, uma vez que seus processos demorariam anos até serem revisados por algum magistrado superior.

A única coisa que interessa aos partidários da prisão somente após o trânsito em julgado é a impunidade. Vão esconder isso atrás de termos técnicos e atraentes como “garantismo penal”, mas no fundo só o que essa gente deseja ardentemente é bandido na rua.