A solução simples para uma educação de qualidade

Nada de teorias mirabolantes. Nada de técnicas pedagógicas revolucionárias, adotadas em países como a Finlândia. O problema do ensino público brasileiro é muito mais básico, segundo o diretor do Bandeirantes: os professores simplesmente não trabalham.

Segundo Mauro Aguiar, os professores da rede pública faltam ao trabalho sem justificativa e são promovidos por critérios sem relação com seu desempenho em sala de aula. E eu acrescentaria: se aposentam com 50 anos de idade, e absorvem mais da metade da folha de pagamento do Estado depois de aposentados, condição em que se manterão mais tempo do que na ativa, considerando a expectativa de vida do brasileiro.

É lugar comum dizer que o investimento no professor é chave para melhorar a educação. No entanto, como investir no professor se os critérios são injustos para com aqueles que trabalham e grande parte da folha é usada para pagar inativos?

Como qualquer reforma que vise mudar esse estado de coisas é recebida com paus e pedras pelos sindicatos da catchiguria, muitas vezes sendo apoiados por “estudantes conscientizados” dispostos a sair às ruas para defender “nenhum direito a menos”, infelizmente estaremos discutindo esse mesmo assunto no PISA 2050.

Ciência avançada

Não tem motivo nenhum para apenas a Terra ser plana.

O Sol, a Lua, os planetas e todos os outros corpos celestes devem ser planos também.

Seriam discos, não esferas.

Como nós vemos o Sol e a Lua sempre em seus formatos circulares, geometricamente isso só seria possível se Sol e Lua não girassem em torno de seus próprios eixos. Se girassem, em algum momento deveríamos ver estes astros celestes de perfil. E mais: mesmo que não girassem, precisariam estar virados com a sua face plana exatamente em direção à Terra. Caso contrário, veríamos uma forma ovalada, dependendo da inclinação do Sol e da Lua em relação à Terra.

Sempre sinto-me excitado quando faço ciência avançada.

O “preço justo” do cheque especial

Entrevista com o diretor do BC, João Manoel Pinho de Mello, no Valor. Faria inveja ao personagem Rolando Lero na tentativa de explicar o tabelamento dos juros do cheque especial.

A diretoria do BC de fato acredita que conseguiu chegar no “preço justo” do cheque especial, o mínimo que garantiria a oferta do produto. A diferença para o preço praticado até então seria devido à “ganância” dos bancos. Não foi usada essa palavra, nem precisaria.

Longe de mim comparar a pretensão de onisciência do BC com aquela que guiou os congelamentos de preços nos anos 80. Naquela época, o governo tinha a ilusão de que conseguiria planejar todos os preços da economia, hoje o BC quer controlar apenas o preço do cheque especial. Uma pretensão bem menor. Em desfavor do BC, no entanto, estão 30 anos de experiências mal sucedidas neste campo. Os planejadores da década de 80 pelo menos tinham a desculpa da ignorância.

Clamor da sociedade

Entrevista com Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da secretaria de governo.

“Falta de clamor da sociedade” em apoio ao pacote anti-crime de Moro talvez seja um termo meio impreciso. Quem sabe “corpo mole do governo” fosse uma definição mais exata?

As eleições estão longe, muito longe. Mas Moro na cabeça de chapa poderia ser um termômetro melhor para medir o “clamor da sociedade” em relação à luta anti-crime.

A política de preços da Petrobrás

A Petrobras não está aumentando o preço do diesel em função da valorização do dólar. A greve dos caminhoneiros no ano passado deixou lições.

O único problema é que essa defasagem pesa no balanço da empresa, que ainda está muito endividada, e inviabiliza a venda das suas refinarias. Mas para um governo que tabelou juros, tabelar combustíveis é brincadeira de criança.

O fim do cheque especial

Há alguns dias, escrevi um post defendendo a proibição do cheque especial como modalidade de crédito. Comparei o cheque especial a uma espécie de dose de uma bebida alcoólica para um alcoólatra: o melhor seria a total abstinência, uma espécie de “lei seca”.

Obviamente, não acredito nessa solução. O “mercado paralelo” de crédito substituiria o cheque especial com taxas ainda mais altas. O alcoólatra não se deixa segurar pela falta do produto nas prateleiras oficiais.

E não é que o CMN resolveu acabar com o cheque especial? Não com essas palavras, mas na prática é o que provavelmente vai acontecer. Vejamos.

Há basicamente duas hipóteses: ou o preço da linha estava errado e o BC, em sua onisciência, determinou agora o preço “certo”, ou o preço estava correto. Na primeira hipótese, os bancos vão continuar oferecendo a linha e obtendo lucros “corretos” com o cheque especial. Na segunda hipótese, o produto vai faltar nas prateleiras, como acontece com qualquer tabelamento de preços. Façam suas apostas.

A tarifa que os bancos vão poder cobrar está longe de compensar o teto de juros. Primeiro, porque será descontada dos juros sobre a linha utilizada. Segundo, porque quem não utiliza a linha não vai querer pagar a tarifa. É o meu caso, por exemplo. A primeira coisa que vou fazer é pedir para reduzir minha linha do cheque especial para R$500, limite no qual não há cobrança de tarifa.

Campos Neto, presidente do BC, nega que tenha sido um tabelamento, dado que os bancos vão poder cobrar tarifa sobre os limites não utilizados. Tarifa esta também tabelada, diga-se de passagem. Campos Neto subestima a inteligência do seu público.

Falta concorrência no mercado bancário brasileiro. O tabelamento não vai ajudar. Pelo contrário, vai atrapalhar. Eventuais concorrentes com capacidade de cobrar juros mais baixos já poderiam ter entrado quando os juros do cheque especial estavam a 12%. A 8% esta possibilidade diminui.

Dilma Rousseff, a presidente mais intervencionista da história recente, tentou usar os bancos públicos para baixar as taxas de juros, mas não teve a ousadia de tabelar as taxas de juros de linhas de crédito. O cheque especial é só o primeiro da fila. Depois vem o cartão de crédito e as linhas sem garantia, todas muito caras. O BC, pressionado pelos congressistas, estabelecerá o “preço correto” para todas essas linhas. Meu conselho para você, que vive no cheque especial ou no rotativo do cartão de crédito: comece a procurar um agiota para substituir essas linhas de crédito.

Caetano é para poucos

Dá pra assistir a um show do Caetano Veloso?

Não, não dá.

Faço questão de assistir a um show do Caetano Veloso?

Não, não faço.

Se alguém me pagasse 100 milhões de dólares para assistir a um show do Caetano Veloso, eu assistiria?

A pobreza é uma virtude.

A face feia de uma boa administração

Os títulos do Flamengo estão sendo creditados à estupenda administração do clube. A mesma responsável pela tragédia que vitimou os garotos da base em seu CT.

Sim, eu sei que lembrar esse tipo de coisa em meio à festa do clube não é nada agradável. E eu não o faria se não insistissem nessa história de “o clube mais bem administrado do Brasil”. Um clube bem administrado não mata seus atletas de base. Ponto.

Ganhar títulos é só a faceta mais vistosa de uma boa administração. Mas está longe de ser a única.