Reestatizando a Vale

A Vale vale hoje R$250 bilhões em bolsa. Digamos que uma reestatização reduzisse esse valor à metade. O desembolso do governo para recomprar a empresa seria de uns R$60 bilhões. Nada que um pouco mais de dívida não resolvesse.

Em 1997, quando foi privatizada, a Vale exportava algo como US$3 bilhões/ano. Hoje, exporta em torno de US$ 21 bilhões/ano. Em 1997 tínhamos déficit na balança comercial, hoje temos superávit, graças ao agronegócio e à Vale.

Em 1997, a Vale gerou lucro de US$220 milhões. Em tese, se todo esse lucro fosse distribuído, como a União tinha 40% do capital total, os dividendos recebidos seriam de US$88 milhões. O lucro gerado em 2018 foi de US$6,6 bilhões. Considerando uma alíquota de IR de 15%, isso gera US$ 1 bilhão em impostos. Fora os royalties.

Mas nada como devolver as riquezas do povo para o povo. E, de quebra, ter muitas diretorias para distribuir aos aliados e um cofre cheio para pilhar. Tudo em nome do social.

Prescrição

O problema, obviamente, não se resume à prescrição da pena. A prescrição é apenas o coroamento de um problema maior: a lentidão do sistema todo.

Digamos que esse projeto seja aprovado. O sujeito continuará solto praticamente ad eternum, à espera do julgamento de todos os embargos no Supremo. A protelação, que hoje tem o seu fim na prescrição de pena, não terá fim nunca. A arte da protelação será levada aos cumes da perfeição.

Quem deve estar esfregando as mãos são os advogados criminalistas, que terão clientes eternos.

Réplica – Tréplica

Minha tendência seria a de criticar o presidente pelas suas declarações ácidas e pouco diplomáticas a respeito das eleições na Argentina e do novo presidente eleito. Afinal, trata-se de nosso 3o maior parceiro comercial, além de ser nosso principal sócio no Mercosul.

Mas Alberto Fernandez não colabora. Visitou Lula na prisão, fez o L de Lula Livre e cumprimentou publicamente o ex-presidente e atual presidiário pelo seu cumpleaños.

Ao engajar-se na campanha do Lula Livre, Fernandez está se imiscuindo em assuntos internos brasileiros, isso sim uma afronta às nossas instituições.

Bolsonaro fez é pouco.

Cheque especial

Que surpresa! O cheque especial cresce mais do que outras linhas de crédito, mesmo depois dos bancos se “autorregularem” para oferecerem outras linhas de crédito mais baratas.

O que aconteceu de tão surpreendente? Bem, depois de tomar outras linhas de crédito mais baratas, o pessoal voltou ao cheque especial. Agora, estão endividados nas linhas mais baratas E no cheque especial. O mesmo deve estar acontecendo também no rotativo do cartão de crédito, alvo também de regulação por parte do BC.

Quem conhece um pouco da natureza humana poderia ter antecipado essa “surpresa”. Afinal, a maioria dos que estão no cheque especial foram parar lá por falta de controle de suas finanças, e não por um “acidente de percurso”. Ora, se a pessoa vive consistentemente acima de suas posses, vai tomar todas as linhas de crédito disponíveis para manter seu consumo. As linhas baratas e as linhas caras. É o que está acontecendo.

A solução para isso é simplesmente proibir o cheque especial (e o rotativo do cartão de crédito também). Se o indivíduo não consegue viver dentro de sua renda, o cheque especial só vai piorar a sua situação, agregando juros escorchantes ao seu buraco. No final, termina pior do que se não tivesse o cheque especial, tendo que fazer um ajuste ainda maior no seu orçamento para equilibrar-se. Acabar com o cheque especial significa forçar o indivíduo a ajustar-se enquanto ainda é tempo, com um esforço menor.

Mas terminar com o cheque especial acaba com uma fonte importante de renda dos bancos. Aí é que está o busílis da questão.

Cheque especial

Que surpresa! O cheque especial cresce mais do que outras linhas de crédito, mesmo depois dos bancos se “autorregularem” para oferecerem outras linhas de crédito mais baratas.

O que aconteceu de tão surpreendente? Bem, depois de tomar outras linhas de crédito mais baratas, o pessoal voltou ao cheque especial. Agora, estão endividados nas linhas mais baratas E no cheque especial. O mesmo deve estar acontecendo também no rotativo do cartão de crédito, alvo também de regulação por parte do BC.

Quem conhece um pouco da natureza humana poderia ter antecipado essa “surpresa”. Afinal, a maioria dos que estão no cheque especial foram parar lá por falta de controle de suas finanças, e não por um “acidente de percurso”. Ora, se a pessoa vive consistentemente acima de suas posses, vai tomar todas as linhas de crédito disponíveis para manter seu consumo. As linhas baratas e as linhas caras. É o que está acontecendo.

A solução para isso é simplesmente proibir o cheque especial (e o rotativo do cartão de crédito também). Se o indivíduo não consegue viver dentro de sua renda, o cheque especial só vai piorar a sua situação, agregando juros escorchantes ao seu buraco. No final, termina pior do que se não tivesse o cheque especial, tendo que fazer um ajuste ainda maior no seu orçamento para equilibrar-se. Acabar com o cheque especial significa forçar o indivíduo a ajustar-se enquanto ainda é tempo, com um esforço menor.

Mas terminar com o cheque especial acaba com uma fonte importante de renda dos bancos. Aí é que está o busílis da questão.

Privacidade vs. Segurança

Os “especialistas”, quando consultados, insistem na ideia de que a violência não é necessária no combate à criminalidade, bastaria o uso de “inteligência”. Por inteligência entende-se aprimorar a capacidade de investigação, o que supostamente diminuiria a necessidade de confrontos com mortes, ao focar a ação nos bandidos, deixando inocentes de fora.

Pois bem, o governo de São Paulo está investindo em equipamentos de monitoramento, justamente para aumentar a “inteligência” no combate à criminalidade. Mas os “especialistas” alertam que esse tipo de coisa aumenta o isco de “esteorotipação” e da criação de “zonas de exclusão”, o que quer que isso signifique. Ou seja, para esses “especialistas”, a polícia deve agir com inteligência, mas com uma venda nos olhos. Isso aí não é inteligência, é o Neo cego lutando contra Matrix, só funciona em filme.

O autor da reportagem diz que o governo está comprando esse equipamento “sob o argumento” de melhorar o combate à criminalidade. Ao substituir a proposição “para” pela locução “sob o argumento”, o repórter faz a suposição de que o governo, na verdade, tem outras intenções. Pelo tom da reportagem, as verdadeiras intenções do governo são “criar zonas de exclusão” ao estereotipar a população pobre e bisbilhotar os cidadãos. Aliás, o título da reportagem faz menção aos “paulistas” de maneira genérica, não à bandidagem.

De fato, há um trade off insolúvel entre combate à criminalidade e privacidade. Mas, com as devidas salvaguardas legais (e os responsáveis pelo projeto as descrevem de maneira satisfatória, em minha opinião), se este for o preço a pagar para diminuir a criminalidade, podem me bisbilhotar à vontade, eu não tenho nada a esconder. Minha resposta aqui aos “especialistas” é a mesma que dou aos advogados criminalistas que alegam defender meus “direitos de cidadão” quando, na verdade, estão defendendo o direito dos bandidos de não serem presos: me incluam fora dessa.

Otimismo moderado

A Argentina precisava mesmo de um presidente com ideias novas e arejadas para tirar o país do buraco.

Congelamento de preços e um grande pacto social com os empresários para repor salários são ideais realmente originais, uma lufada de ar fresco no viciado ar liberal argentino.

Estou moderadamente otimista.

Ciência brasileira

Brasileiro é que nem praga, tem em todo lugar.

Pois bem, encontraram um brasileiro na equipe que desenvolveu a “supremacia quântica” do Google. Ele deu uma entrevista ao Estadão, que reproduzo abaixo.

Destaco os seguintes pontos:

1) A pesquisa foi financiada pelo Google. A IBM está desafiando os resultados. E o cientista brasileiro já se mudou para a Amazon. Apesar de ser professor da Caltech, Fernando Brandão e a equipe do Google estão sendo financiados pela fina flor da iniciativa privada. Por que? Ele mesmo explica: até seria possível o investimento público, mas seria muito arriscado, porque não se sabe direito ainda no que investir. Trata-se de investimento de risco, e somente capitais de risco deveriam se meter nisso. Google, IBM e Amazon estão atrás dos lucros fabulosos que essa tecnologia pode trazer no futuro e, por isso, estão dispostos a investir a fundo perdido. O mesmo ocorre no setor farmacêutico, ou de biotecnologia: até dar certo, rios de dinheiro são gastos em pesquisa. Por isso, é tudo muito caro.

2) No Brasil, é impensável esse nível de parceria, visto por aqui como uma ingerência indevida sobre a autonomia universitária, que não pode se curvar aos ditames do mercado. Sim, nos EUA é bem mais fácil, como reconhece o cientista brasileiro.

3) Há um esforço para dizer que, neste governo, a pesquisa científica “piorou muito”. O cientista ainda concede que a coisa não ia tão bem assim nos governos passados, mas pelo menos havia “esforços de valorização”. De onde concluo que a única diferença deste governo para os anteriores no que se refere à pesquisa científica é a retórica agressiva. De resto, está fazendo a mesma coisa que os governos anteriores, ou seja, nada. O pessoal precisa de um discursinho para se sentir valorizado.

Críticas ao vento

O trecho abaixo é da coluna de Vera Magalhães, hoje, no Estadão. Ela escreve sobre o exemplo do Chile, e que a equipe econômica liberal do governo Bolsonaro deveria ser, digamos, mais “sensível” à desigualdade de renda.

Destaquei o trecho acima para demonstrar que esse pessoal combate moinhos de vento. Quais seriam esses “próximos passos” depois da reforma da Previdência que vão “mexer numa rede de proteção social construída ao longo de sucessivos governos?”. Mistério.

Se há alguma coisa que mexeu em rede de proteção social, esta foi a reforma da Previdência. Mas não é disso que Verá trata, nem seria louca de fazê-lo, uma vez que está claro para todos que o modelo é insustentável. Então, ao que ela exatamente se refere? À reforma tributária, que pretende simplificar a vida de quem cria riqueza no País? À reforma do Estado, que pretende retirar privilégios de funcionários públicos para que sobre mais dinheiro para a “rede de proteção social”? Às privatizações e concessões, cujo dinheiro arrecadado também servirá para reforçar políticas sociais? Quais seriam esses “balões de ensaio” que revelam a maldade de Paulo Guedes e equipe? Vera Magalhães não se dá ao trabalho de esclarecer.

O artigo de Vera não é uma exceção, é a regra. Todas as críticas ao tal “modelo liberal” tem como denominador comum uma má-vontade política em relação ao governante de turno. Todos os governantes responsáveis fazem a mesma coisa quando falta dinheiro, mas alguns são “queridinhos”, enquanto outros são os “malvados”. Tudo se resume a quem faz, não ao que é feito.