República dos privilégios

Bolsonaro defende que, como os policiais nunca tiveram privilégios, passem agora a tê-los. É o que se concluiu da fala abaixo.

Continuamos a ser a República dos Privilégios. Eles só mudam de lado, dependendo do governante de plantão.

Um Itaquerão pra chamar de seu

Bolsonaro quer um Itaquerão pra chamar de seu.

Sim, sim, não haverá um real de recursos públicos no investimento de R$ 750 milhões (pra início de conversa) para construir o novo autódromo.

Era o que se prometia também com a construção do Itaquerão e dos outros estádios da Copa.

Superpoderes

Sim, é isso mesmo. Em qualquer democracia, o presidente não pode tudo. O regime onde o presidente detém todos os instrumentos de poder chama-se ditadura. É o regime, por exemplo, da Venezuela, onde o Congresso e o Supremo servem apenas para darem o seu aval aos atos do ditador. Este é o único representante legítimo do povo.

Em democracias representativas, o povo é representado pelo presidente E pelo Congresso. Ouso dizer que este último é o mais importante, haja vista que existem democracias sem presidente (chamam-se parlamentarismo), mas não existem democracias sem um Parlamento.

As agências reguladoras, por outro lado, vão na linha de criar uma burocracia técnica e perene, que implemente políticas de Estado e não do governante de plantão. A agência reguladora mais eficiente é o Banco Central, que tem cumprido a missão de manter a inflação baixa quando não sofre interferência do governo.

Há aqui uma discussão pertinente sobre até que ponto existem decisões puramente técnicas, a verdade acima de todas as paixões. Aqueles que são céticos sobre a existência desta verdade advogam que as agências reguladoras atuam de acordo com uma agenda política própria, alheia àquela decidida pelos eleitores. Seria a tal “ditadura da burocracia”. Lula e o PT tinham essa visão e, por isso, enfraqueceram as agências. Bolsonaro, aparentemente, segue na mesma linha.

Àqueles que me perguntam qual é o melhor regime político, eu sempre respondo que é a ditadura em que o ditador concorda 100% comigo. Na falta deste, o menos pior é a democracia, onde não corro o risco de ter um ditador que discorda 100% de mim.

Arrependimento

Arrependo-me do meu voto no 2o turno? Não. Do outro lado estava o PT. Teríamos saudades do dólar a R$4.

Não posso criticar por ter votado em Bolsonaro? Posso. Não fui o responsável por termos no 2o turno a escolha entre a panela e a frigideira.

Só poderia criticar se tivesse anulado meu voto? Não. Quem anulou o voto apenas deixou a decisão para os outros. Ajudou a eleger o coiso do mesmo jeito.

Mesmo sabendo o que já sabemos, teria votado novamente? Sim. Do outro lado estava o PT.

Tenha sempre em mente: Bolsonaro é obra do lulopetismo.

Quem inaugurou o populismo?

Era uma vez um país maravilhoso, uma verdadeira ilha de prosperidade, onde seus impolutos dirigentes, verdadeiros democratas, olhavam somente para as verdadeiras necessidades do povo e, por isso, tomavam decisões que beneficiavam não somente a geração presente (que vota), mas todas as gerações futuras (que ainda não votam).

Como dizia, era um país maravilhoso. De repente, não se sabe de onde, surgiu uma horda de bárbaros populistas, ameaçando de morte as sacrossantas instituições democráticas daquele país. Vieram essas hordas do espaço sideral, pois nada nesse país maravilhoso poderia justificar o seu surgimento.

Essa é mais ou menos a conclusão que tirei da entrevista com o “cientista político” alemão que está lançando o livro “O Povo Contra a Democracia”. Ele coloca Bolsonaro como o marco inaugural do populismo no Brasil e nem fica corado. O que me faz crer que, no mínimo, não fez direito seu trabalho de pesquisa.

Se tivesse gastado um pouco mais de tempo com o Brasil, o cientista alemão teria concluído, como ele mesmo diz, que Bolsonaro representa apenas a segunda geração de populistas que tomam conta do Brasil. A primeira já fez um excelente trabalho de desconstrução das instituições democráticas.

Ao lulopetismo se podem atribuir todas as acusações que o cientista alemão fez a Bolsonaro. No quesito “populismo”, Bolsonaro precisa ainda comer muito arroz com feijão para chegar ao nível de Lula e sua trupe. Ele está se esforçando, é verdade, mas ainda é um pequeno aprendiz nesse campo em que Lula é o mestre.

A discussão dos “pardais” nos devidos termos

Se o motorista “se distrai” e passa por um pardal acima da velocidade permitida, não há outra conclusão possível: o sujeito estava dirigindo acima da velocidade permitida e, o que é pior, estava distraído.

Muitos fazem isso: dirigem a uma velocidade que acham “razoável” e, quando avistam um radar (ou são avisados pelo Waze), diminuem a velocidade. Mas, de vez em quando, “se distraem” e, pá!, são multados.

A discussão, parece-me, está desfocada.

Bolsonaro deveria ter proposto a abolição pura e simples da velocidade máxima nas vias. Porque eliminar os radares significa, na prática, eliminar a velocidade máxima. A definição de uma velocidade segura ficaria a cargo, então, de cada motorista. Cada um dirigiria a uma velocidade que achasse “razoável”.

Claro, colocar a discussão nesses termos não é nada simpático.

O ponto é que a discussão está se dando sobre a “injustiça” dos radares, mas o radar é apenas uma consequência necessária da definição de uma velocidade máxima.

Estabelecer uma velocidade máxima sem radar é inócuo: aqueles que já respeitam a velocidade máxima continuarão respeitando; aqueles que só respeitam por causa do radar, passarão a não respeitar. Seria como eliminar a polícia: para os honestos, tanto faz. Para os desonestos, é uma carta de alforria.

Bolsonaro deveria admitir que é contra uma velocidade máxima nas vias. Colocaria o debate nos seus devidos termos.

A conversa republicana

“Ah, mas a conversa será republicana, não haverá toma-lá-dá-cá”.

Ok. Não fui eu que disse aqui que a simples palavra “articulação” significava “malas de dinheiro”. Pelo contrário, sempre defendi a Política como a única saída, o que inclui conversar com os políticos. Quem afirmava que “conversar” significa “roubar” eram os bolsonaristas. Que certamente criarão uma versão edulcorada para essa “conversa”.

Brigando com os números

Minha esposa não está procurando emprego e não está empregada. Ela está desempregada?

Aliás, se todas as pessoas que não estão procurando emprego fossem consideradas desempregadas (metodologia Bolsonaro), o desemprego seria ainda maior!

O IBGE segue a mesma metodologia consagrada e usada nas principais economias do mundo para medir o desemprego.

No tocante a enganar a população, normalmente quem faz isso são os políticos.

Não vai ser nada bonito

Na sexta-feira, o mercado começou a precificar dificuldades maiores para a aprovação da reforma. Mas ainda assim, uma aprovação.

Com declarações dessa natureza, o mercado logo vai começar a precificar a NÃO aprovação. Não vai ser nada bonito, garanto.